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Um gesto nobre

Jorge Mario Bergoglio deixou-me radiante com a escolha do nome para exercer o seu Magistério Petrino, o qual encerra uma mensagem repleta de sentido para ser entendida sobre a que capítulos do Evangelho irá dedicar a sua actuação. Radiante, em primeiro lugar, porque tive um colega de escola Franciscano que, por ordem provincial, se encontra a fundar uma Ordem em Cabo Verde e a quem me liga uma grande amizade.

Narciso Mendes
6 Abr 2013

Em segundo lugar, porque contraí o Sacramento do Matrimónio no templo de um convento, em que tanto o sacerdote como o coro e o fotógrafo, para além de parte dos convidados, todos eram Franciscanos. E depois, porque tenho um filho “Francisco”, baptizado em nome do Santo de Assis.
Por outro lado, sinto uma redobrada satisfação uma vez que, o Papa Francisco, vem dos Jesuítas. Instituição que, para além das questões da fé, tem dado muito à cultura e ao ensino, pela qual nutro um enorme respeito e admiração, particularmente pela Universidade Católica, de Braga. Daí, sentir renascer, como Cristão, a esperança de ser alguém que vem ao encontro das necessidades actuais da Igreja e com um novo fôlego para retomar e expandir o diálogo ecuménico.
«Guardemos Cristo na nossa vida, para guardar os outros e guardar a criação. Guardemos com amor aquilo que Deus nos deu. Não devemos ter medo da bondade e da ternura. Quem serve com amor é capaz de proteger». Foi com estas palavras que o Papa Francisco se apresentou perante as 132 delegações, de todo o mundo, que estiveram presentes na sua tomada de posse. E de entre as quais se encontrava a portuguesa, chefiada pelo senhor Presidente da República, Cavaco Silva que, visivelmente emocionado pela fé no futuro que este Papa procura transmitir (com sorriso e simpatia), terá pensado no quanto o nosso país precisa da protecção Divina, para nos ajudar a sair do emaranhado de problemas com que nos confrontamos. E terá, provavelmente, reflectido, num exame de consciência, no quanto de mal os políticos portugueses terão contribuído para deixar a nossa Pátria abalada e doente.
É que num país tão pequeno, de “Nobelizados” nas letras e nas ciências, com excelentes economistas que, por entre correntes de “ortodoxos”e “liberais”, mais se têm evidenciado os “incompetentes”, para além de profissionais da política que, antes de 25 de Abril de 74 e ao entrarmos para a CEE, se propunham esbater o atraso de mais de 20 anos, em relação aos países desenvolvidos, o não tenham conseguido, mais sentido faria que o nosso Presidente, como crente, tivesse implorado esse auxílio. E bem precisa esta Pátria, por quem tantos pelejaram e deram a vida, a qual perante o diagnóstico, e receituário, de peso, prescrito por “doutores de fora”, a quem lhes falta o sangue Lusitano, a coloca com graves sintomas de debilidade.      
Talvez Cavaco tivesse, naquele momento, feito “mea culpa” por, nas eleições presidenciais, ter garantido ao povo que, uma vez eleito, como economista, seria uma mais-valia para o país, o que não se veio a verificar, carregando ainda o ónus do facto de outrora, como primeiro ministro, também ter contribuído para o “peditório” da crise actual. Isto, para além de não ter travado, atempadamente, os abusos cometidos e por se ter visto incapaz de proteger o bem estar dos cidadãos, sobretudo dos que de repente se viram em situação de desemprego, de pobreza e sem futuro no horizonte.
Foi, porém, no Vaticano e consciente da situação de pessimismo instalado no país, devido ao seu estado crítico, que o Presidente Cavaco Silva convidou o Santo Padre a visitar Portugal. O que se constituiu, a meu ver, um “gesto nobre” e talvez o mais convicto deste seu ultimo e atribulado mandato. O que, a verificar-se, constituirá um motivo de júbilo e alegria para nos sentirmos mais encorajados, a fim de vencermos os desafios. E para que Deus nos ilumine a encontrar os verdadeiros génios do poder, que saibam administrar este belo país, o qual tem tudo para vencer e ser feliz.




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