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Verdade desportiva

A crise, palavra mais ouvida nos últimos tempos, é a grande responsável por muitas alterações na nossa sociedade e o meio desportivo também sente fortemente os seus efeitos. Uma das mais graves situações que ocorrem em consequência da escassez do dinheiro são as faltas de comparência das equipas aos diversos campeonatos. A crise, obviamente, justifica muitas delas, mas há outras que não passam de fraudes, de falta de verdade desportiva, de respeito pelas instituições e pelos adversários.

Carlos Dias
5 Abr 2013

No passado, uma falta de comparência era rara e ocorria em casos extremos, de acidente ou de algum outro acontecimento pouco comum, mas de facto eram consideradas desrespeitosas e eram sancionadas severamente pelas federações. Hoje, em face da “crise” quase que se vulgarizaram e são consideradas, em algumas modalidades, com alguma leviandade, “normais” e plenamente “justificadas”.
Esta semana num jornal desportivo caraterizaram, com uma boa reportagem jornalística, algumas dessas situações, nomeadamente as faltas de comparência das equipas insulares ou de continentais a jogos agendados nas ilhas.
Ainda esta semana, por exemplo, foi anunciado pelo HC Braga que não se deslocará à ilha do Pico. São já 5 as equipas que não se deslocaram à casa do Candelária, em consequência deste facto, a equipa açoriana conquistou 15 pontos, sem jogar!… Onde está a verdade desportiva?  Esta situação é imoral e desrespeitosa para a modalidade e para o desporto em geral. Mas não se pense que só as equipas continentais prevaricam. Várias equipas insulares, em muitas modalidades, têm usado esse método para poupar uns trocos. Algumas equipas, tal como o Machico (Madeira), no voleibol, que em face da repetida ausência aos encontros foi eliminada da competição, outras usam esta estratégia até ao limite, ou adotam outras que não se enquadram com condições condignas de treino ou de competição. Existem exemplos de atletas que representam os clubes insulares, recebendo verbas por jogo e que não se deslocam às ilhas jogando apenas os jogos no continente, e com isso os clubes não gastam verbas para se apresentarem em jogo. Existem ainda equipas que adotam outras estratégias para economizar, mais honestas e coerentes, tais como jornadas duplas, refeições económicas, viagens no próprio dia da competição ou redução do número de elementos ao estritamente necessário para competir.
As causas e as razões desta situação caótica têm que ser analisadas por todos os intervenientes e também por todos os interessados, de uma forma exaustiva e séria, pois o problema é mais amplo e complexo do que parece. Mas não se pense que a Madeira e os Açores não estão interessados em resolver o problema, porque são os mais prejudicados por esta situação. Os diversos campeonatos geram muito turismo, viagens e alojamentos. Um dos organismos insulares apontou que só na ilha Terceira, no primeiro trimestre da época desportiva, foram realizadas cerca de 277 viagens, 418 dormidas e 471 refeições. Estes números são significativos para a economia local. Na Madeira este cenário aumenta drasticamente, em face do número de equipas que a visitam, pelo maior número de modalidades que possuem.
Uma coisa é certa: independentemente das razões que assistem aos clubes, uma falta de comparência tem fortes implicações na verdade e na equidade que é exigida ao desporto, e esse é um problema maior que a falta de dinheiro…




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