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Outro Ponto de Vista…

Uma das ideias preconcebidas presente no discurso politicamente correto assenta na convicção de que uma das conquistas mais relevantes do regime pós-abril de 74 foi a afirmação e implantação do poder local.Se, em tese, posso concordar, mormente se enfocarmos a sua natureza democrática, muito embora com laivos de um caciquismo que faz parte da natureza endémica do nosso comportamento cívico, outros aspetos muito negativos, que têm a sua raiz na subserviência perante o aparentemente mais poderoso, manifestam-se de modo peculiar, designadamente em Braga.

Acácio de Brito
5 Abr 2013

Três notas de reflexão para ajudar na criação e afirmação de uma alternativa:
Primeira,
Em recente reunião do executivo municipal perante uma proposta de cedência de um espaço ao Sporting de Braga, no centro da nossa urbe, julgo que de modo gratuito, todos os vereadores deram a sua aquiescência.
Dias passados, uma das partes que votou favoravelmente vem apresentar um argumentário que não colhe. Perante o expendido só havia uma solução lógica. Votar contra a cedência. É contra os interesses do Sporting de Braga? Paciência! A dimensão dos valores não é suscetível de interesses particularistas.
Segunda,
Quanto à questão dos parcómetros e a delimitação de zonas de estacionamento, entregues a uma empresa privada,
I. Concordando com a entrega a privados desta área de negócio, como em muitos outros, não obstante, a supervisão e monitorização em Braga, como desde sempre, não funcionou, permitindo-se mesmo, em surdina, que sejam feitos comentários impróprios para quem como eu acredita nas virtualidades de uma economia de mercado, mas não do mercado de “faz-de-conta”!
II. A fiscalização que ocorre, hoje demonstra a ineficiência da gestão municipal, nomeadamente quando essa responsabilidade era da Polícia camarária; agora percebe-se rotação nos lugares de estacionamento, entende-se que quem estaciona tem de pagar!
Terceira,
O despautério da decisão do executivo municipal de patrocinar as ações a levar a juízo por parte das juntas de freguesia objeto de agregação é sintoma de que algo vai mal cá pelo burgo!
Pena é que tenha faltado coragem aos decisores políticos para levar a cabo uma verdadeira reforma do mapa administrativo, eliminando, isto é, juntando vários concelhos, criando desse modo, espaços com maior e melhor massa crítica com capacidade de intervenção cívica, económica e social.
Finalmente como subsídio a uma alternativa que urge, devia obrigar-nos a votar contra a cedência gratuita do espaço ao Sporting de Braga, ver com bons olhos a gestão privada de espaços, designadamente o estacionamento à superfície, mas com regras concursais à prova do “diz-se que” e a recusar o patrocínio de querelas paroquiais.
Estes são três aspetos a considerar na construção de um modelo diferente de gestão da coisa pública.




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