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Mundo baralhado e nu

Em todas as nações há a consciência de que as injustiças existem e as oportunidades não se apresentam a todos de igual modo. O próprio Cristo veio por causa dos gritos e das dores. Tantas vezes, ensinou aos ricos que fossem menos ricos, para que houvesse menos pobres. Assim sendo, e porque pobres e injustiçados sempre existirão, pode-se afirmar que foi a partir da segunda metade do século passado que mais passos foram dados no combate ao racismo e de que todo o homem era igual a qualquer outro, independente da cor da pele, dos usos e costumes, de cultura, inclusive, o ter-se ensinado que todo o homem é filho de Deus, criado à Sua imagem e semelhança.

Artur Soares
5 Abr 2013

Assim, nos países civilizados faz parte das suas leis de que todo o homem tem os mesmos direitos e deveres, independente do local em que vive, de ser rico ou pobre.
Desse modo – porque civilizados e com pouco mais de uma década passada neste século XXI – manda a ética, a obrigação e a razão, que o negro, o muçulmano, o maçom, o amarelo ou o homossexual, não sejam vítimas de qualquer género e ainda bem, pois perseguição, exclusão ou até violência, hoje, não tem razão de existir.
No plano ou no aspecto político/
/social, assim deveria ser, e creio estarmos d’acordo. Mas querendo colocar o paciente leitor a reflectir quanto à exclusão que frequentemente se vê, se conhece, se sente em qualquer praça ou esquina, como se pode admitir e como se pode excluir uma mulher de trabalhar, só porque ficou grávida ou porque tenciona ser mãe?
Como pode uma entidade patronal ter o arrojo ou a falta de pejo e despedir ou recusar uma funcionária por estar grávida?
Apresentemos um caso concreto: Um grande e prestigiado laboratório em medicamentos fez anunciar publicamente a vaga e a respectiva seleção de seis empregados. Feita a entrevista a uma senhora recém-casada, entre outras perguntas quiseram saber se tinha filhos. Que não, respondeu a concorrente, por não ter condições económicas, estar desempregada, etc. mas que se conseguisse trabalhar para o laboratório, mais mês menos mês gostaria de engravidar. Muito bem, disse o entrevistador. Está terminada a entrevista e aguarde uma resposta quanto ao possível ingresso ou não na empresa. Passados cerca de dois meses, “a cunha” que existia em favor da candidata foi informada que por ela estar a pensar em engravidar quando pudesse – caso ficasse – que não lhe davam o lugar porque causava perturbação e prejuízos ao laboratório.
Em países civilizados, com leis onde se protegem as famílias, não se despedem os negros pelo facto de o serem, nem religiosos por o serem, nem maçons, nem mães ou futuras mães.
E se a maçonaria é capaz de matar, de programar e liderar uma violência social; se homosse-
xuais perante Deus e segundo a Bíblia, são apontados porque se entregam “a paixões degradantes” e se “inflamam em desejos de uns por outros” (rom. 1, 26–27), a mulher, que foi premiada para multiplicar a humanidade, é desviada, excluída, perseguida e injustiçada por ser mãe.
Como é que um país como o nosso, com legislação que protege o crescimento da população, faz vista grossa a este género de aberrações e nem sindicatos existem para denunciar estes casos e dar apoio económico para estas mulheres solicitarem justiça e reposição de direitos adquiridos?
Bem se sabe que entre nós já é tão normal torpedear pessoas, sonhos e projetos, como morrer e ser enterrado!
Diz Alfred Montapert, filósofo americano: “…é que o que está direito não precisa de ser regulado, e não existe lei capaz de tornar direito o que está torto”. Mas será assim?
Não será verdade que somos dum país em que se interpreta e se faz, do direito e do justo, uma distração e sobretudo um jogo com luvas de boxe?
Será que não há governantes, ministérios, sindicatos, tribunais – isto no mundo do trabalho – que coloquem, devidamente vivo e possante o direito, sobre o que vai ficando torto e ilegal?
Neste nosso mundo baralhado e nu – é como vai o país – em que governantes roubam e mentem, em que desconhecem o povo que os elegeu e o exclui para longe dos seus direitos/ordenados/
/pensões e que neles confiou…, como não podem os oportunistas, os predadores do dinheiro fácil mandar embora ou recusar uma mulher que se prepara para dar à luz? Não são os exemplos o grande palco por onde o povo se deixa tanger?
Acredito que os indiferentes, os injustos e os usurários da nossa praça são dos baratos e, minuto a minuto estão em saldo em qualquer esquina. Mas acredito também que tais defeitos – se constantes – podem-lhes ficar caro.




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