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Falar verdade a mentir?

O título que encima esta crónica, sem a interrogação, é o de uma peça de teatro escrita por Almeida Garret. À meia-noite e alguns minutos, do primeiro dia de abril, decidi criar no facebook uma “peça” virtual com algumas mentiras que desejava, a exemplo do acontecido na de Almeida Garret, se transformassem em verdades. Na minha, Pinto da Costa (PC) pedia desculpa a Paulo Bento pelas “postas de pescada”; Jesus dizia que o mérito das vitórias do SLB devia ser assacado essencialmente aos jogadores, e à direção; Godinho Lopes tinha deixado ordenados pagos até final da época; Sócrates confessava na RTP ser também corresponsável pelo estado lastimável em que o País se encontra; e, os Presidentes das duas Coreias eram recebidos no Vaticano, em simultâneo, e abraçavam-se em frente ao Papa Francisco…

Carlos Mangas
4 Abr 2013

Claro que houve logo quem não acreditasse, e justificasse o porquê: Uns, só não acreditavam na minha peça, pelo que Jesus dizia, outros entendiam que era mentira porque PC seria incapaz de pedir desculpa, e havia também os que achavam de todo impossível, José Sócrates assumir culpas. Engraçado, como ninguém questionou “o abraço” dos presidentes coreanos no Vaticano. Isto levou-me a pensar que os meus amigos virtuais, ou são demasiado crentes nos poderes de persuasão do novo Papa, ou, conhecem demasiado bem alguns personagens da nossa praça.
Saindo do virtual, para o real, pelas vinte horas, dirigi-me ao AXA para assistir ao jogo SCB-SCP e ao sentar-me no meu local habitual constatei que ao meu lado estavam duas crianças com gorro e cachecol do SCP. Brinquei com eles perguntando: “Posso abrir o meu cachecol do SCB?” – “Claro” responderam eles na sua inocência, quem sabe achando piada ao “artista” de cabelos brancos que lhes pedia autorização para abrir um cachecol de outro clube. E assim estivemos durante todo o jogo, lado a lado a comungar da mesma paixão… pelo futebol, se bem que, puxando por clubes diferentes. No decurso dos festejos alternados, nem eles, ao festejar… me tentaram gozar, nem eu, ao festejar, os tentei confrontar. Mas isto que se passou comigo e com os meus jovens parceiros, vi acontecer na bancada onde me encontrava (poente inferior) em inúmeros locais. Muita gente a festejar os golos do SCP e muitos mais a festejar os golos do SCB. Terão acontecido picardias? Sinceramente, não me apercebi. No final, o novo presidente do SCP festejava a vitória no relvado, “virado” para a nossa bancada e com exceção do apoio dos simpatizantes sportinguistas, nada de mais aconteceu. Mas, foi tudo assim, tão poético e bonito, no AXA, no 1.º de abril? Claro que não, a começar logo pelo resultado…
No decurso do jogo, por sms fui questionado por um amigo sportinguista: “A claque do SCP está lá em cima, para estar protegida da vossa claque?” A resposta foi-lhe dada de imediato por um objeto incandescente lançado da bancada onde se encontravam os adeptos leoninos, que caiu na bancada (felizmente) vazia que se encontrava por baixo e também pelo rebentamento consecutivo de petardos, detonados sempre no espaço destinado à claque leonina.
Já no final do jogo, quando me dirigia para casa, vi um “bando” de seis ou sete adolescentes com adereços do SCB a correrem com um cachecol do SCP na mão que eventual-mente teriam roubado a algum adepto sportinguista.
Infelizmente, estes últimos acontecimentos não foram mentira, mas atendendo ao tempo de crise global que vivemos, quer em termos sociais, quer em termos económicos, que muitas vezes leva a que uma pequena faísca crie uma enorme explosão, entendo que devemos valorizar, enaltecer e divulgar, os acontecimentos positivos.




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