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Azares

Não gosto de utilizar este espaço para abordar aspetos técnicos do futebol. Por duas razões: porque para isso existem os técnicos e porque nunca apreciei os treinadores de bancada, embora lhes ache piada. No entanto, dou comigo a pensar: o que seria do futebol sem os treinadores de bancada? E que faríamos nós, os adeptos, se não tivéssemos as nossas opiniões de treinadores de bancada? Se nos demitíssemos dessa função, cairíamos no ridículo de atribuir as vitórias à sorte e explicaríamos as derrotas pelo azar. O futebol passava a ser um jogo de casino (salvaguardando todo o respeito que tenho por esses jogos). Mas o futebol não é um jogo de casino. A sorte procura-se, trabalha-se, constrói-se.

Manuel Cardoso
4 Abr 2013

Sem envolver os aspetos técnicos, não temos margem para exercer o nosso espírito crítico; por isso, hoje, resolvi falar da dimensão técnica, sempre na minha humilde condição de adepto que, portanto, não sabe nada, em comparação com os treinadores a sério, aqueles que auferem salário em conformidade com a sua sapiência.
Digo eu, nessa condição, que quem não corre, quem não luta, quem perde a humildade, quem não sabe o que anda a fazer em campo, não procura a sorte. Pondo os pontos nos i’s: o SC de Braga não tem tido sorte porque quer ganhar o euromilhões sem apostar ou fazendo apostas mínimas. Mas apostar não é correr para a baliza do adversário como se não houvesse amanhã. Apostar é procurar a sorte salvaguardando os riscos.
Um exemplo muito simples do que estou aqui a escrever: alguns comentadores encartados continuam a fazer comentários como este: a equipa X tem tido sorte nos ressaltos. Os famigerados ressaltos, ou seja, as bolas que vão parar aos pés dos jogadores sem que estes nada façam para a procurar, estatisticamente, têm muito mais probabilidades de beneficiar as equipas cujos atletas se movimentam mais e melhor nas zonas onde a bola é disputada. Por outras palavras: os ressaltos beneficiam quem os procura. Da mesma forma, os passes errados acontecem mais quando os jogadores estão fora da sua posição natural, os remates disparatados acontecem mais quando não há mecanização na preparação da finalização, as desmarcações fatais dos adversários acontecem mais quando os “defesas” estão mal posicionados, e por aí fora…
No jogo frente ao Sporting, ganhou a equipa que mais procurou a sorte; que melhor se posicionou para fazer os golos; que mais correu para ganhar os ressaltos e, acima de tudo, que mais preparada estava para aproveitar os erros do adversário.
Construímos muito jogo ofensivo, dizem alguns. Certo! Bem visto! Grande perspicácia na análise! No entanto, pergunta o adepto que não sabe nada da “poda”: para quê? Para marcar dois golos e deixar umas auto-estradas abertas nas faixas laterais defensivas e para aproveitar a ocasião de admirar as fabulosas desmarcações dos adversários? O objetivo será esse? É que se é, como diz o outro, “boa vai ela”, com a minha vénia ao repórter Alfa.
Obviamente, nada disto impede que eu, adepto, continue a cumprir as minhas três nobres funções, que deviam ser a regra de qualquer adepto: apoiar, apoiar e, acima de tudo, apoiar (sem que nos intervalos do meu apoio incondicional deixe de exercer a minha função absolutamente secundária de adepto de bancada).




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