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A revolução silenciosa dos ricos…

Pela primeira vez na História da Humanidade os ricos estão a fazer uma revolução contra os pobres. Até hoje, sempre as revoluções foram levadas a cabo pelos pobres contra os ricos. Nas suas revoluções, os pobres vêm para as ruas e frequentemente utilizam a “força” como o melhor dos argumentos para lutarem por “regalias” tão elementares como o direito à comida e a terem um abrigo condigno! Desde 2005, porém, está a ocorrer uma revolução muito diferente: são os ricos os revolucionários e os pobres os perseguidos – sob o pretexto de que têm vivido acima das suas possibilidades.

Victor Blanco de Vasconcellos
4 Abr 2013

Outra diferença de fundo desta revolução dos ricos contra os pobres é que vem sendo forjada, de forma silenciosa, no secretismo dos gabinetes da alta finança, no recato dos grandes bancos, no refúgio invisível das agências de “rating”, nos recônditos das multinacionais…
O poeta Alberto Pimentel, com o desassombro dos poetas que não gostam de mandar e detestam obedecer, “traduziu” muito bem esta revolução silenciosa dos ricos contra os pobres. Em recente entrevista ao “JL”, afirma: “O que se estâ a passar é simples: a autonomia da banca e os processos digitais deram origem à chamada economia de casino. Brecht já dizia que pequeno era o crime de assaltar um banco, comparado com o crime de o fundar. (…) Dantes dizia-se que a aristocracia era de sangue azul, agora é monetária. Aquele senhor banqueiro que disse que era preciso aguentar como os sem-abrigo merecia uma medalha de sinceridade. (…) Faz parte da sua atividade desalojar pessoas das suas casas e pô-las sem-abrigo. Portanto, para a sua moral está tudo certo”…
Não pense o leitor, todavia, que só na União Europeia, e concretamente em Portugal e nos países “troikados”, é que está a ocorrer, de forma lenta mas infalível, a silenciosa revolução dos ricos contra os pobres, em que cabe aos desprotegidos pagarem o desmesurado despesismo e atividades quejandas da alta finança.
Esta revolução tem alastrado a quase todo o planeta, incluindo às nações que falaciamente consideramos “grandes potências”. Ainda no início de março estreou nos EUA um filme documental, intitulado “A Place on the Table”, onde a realizadora Lori Silverbush mostra uma realidade terrível: na “magnífica” América, a mais rica e mais obesa nação do mundo, há mais de 50 milhões de pessoas que neste momento passam fome! Sim: mais de 50 milhões… E 17 milhões desses esfaimados são crianças!…
Segundo aquele filme, essa trágica realidade, para além de escondida, não está a ser levada a sério pelos legisladores e menos ainda pelos líderes da mencionada “revolução silenciosa”. Pudera!




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