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Às e aos que se “dão”…

A Lúcia, a Marta, a Ana, a São, o Gaspar, a Cila, a “Toninha”, a Zita, entre outras e outros, são algumas das pessoas da nossa cidade, são seres comuns, normais, humildes, anónimos, de diferentes idades, que têm a sua família, os seus compromissos pessoais, que labutam o dia a dia para ganharem o “pãozinho” que alimenta as suas almas e os seus corpinhos (por acaso bem feitinhos e arranjadinhos). Mas, o que tem de especial estes nomes e estas pessoas para que sejam citadas neste artigo? Têm tudo! São exemplo! São seres de carne e osso que fazem “o bem sem olhar a quem”. E, acima de tudo têm sentimentos de dádiva e uma enorme de capacidade de entrega aos outros. “Dão-se”!

José Leite Silva
3 Abr 2013

E passo então a justificar, caríssimo leitor. Estas individualidades (há muitas ditas “individua-lidades” que só têm o nome e de obras, pouco ou nada!, só têm fama!) quotizam-se semanalmente (do seu minguo salário), e reúnem-se em muitos dias, em especial nas tardes de sábado. E para quê? Para desinteressadamente, para voluntariamente se dedicarem aos outros. Com a receita angariada entre eles (as), compram géneros alimentares e acertada a ementa a cozinhar, reúnem-se numa cantina de uma instituição que lhes dá apoio e confecionam uma refeição para os sem-abrigo (e como estes elementos referidos, há muitas famílias, que gostam de passar incógnitas, que também ajudam e fazem algo semelhante). Depois… depois, é vê-los(as), pela cidade, a distribuir uma refeição quente aos “desventurados” da roleta da vida. Aos mais pobres dos mais pobres (mesmo que muita desta pobreza seja, às vezes, mais de “falta de cabeça” e o “corpo é que paga”). Ninguém nasce sem-abrigo, muitos já foram pessoas integradas na sociedade, com família, emprego e tiveram sonhos de serem felizes. Mas, um dia, porém, as coisas (por uma “traição da vida” como sejam: a crise económica, o divórcio, o desemprego, a doença, ou por outra qualquer razão que nem a própria razão consegue explicar) desmoronaram-se e chegaram ao limite de andar a comer os restos que há nos caixotes do lixo e a sujeitarem-se à caridade dos outros para comerem uma refeição aceitável. E, caríssimos leitores, com a crise que vivemos, há cada vez mais pessoas com enormes carências e dificuldades em cumprir os seus compromissos. Por isso mesmo há uma tendência para o aumento deste flagelo social. E quem sabe se um dia não nos toca a nós ou a um dos nossos? A vida, às vezes, é ingrata e prega-nos cada partida (muitos de nós jamais, em tempo algum, pensaram assistir ao que temos assistido e estar a viver o que vivemos e a ter as dificuldades que temos). Muitos dos que hoje recorrem a uma simples refeição oferecida já viveram de forma razoável ou mesmo, bem.
Pena é, e daqui vai o meu alerta, é que as condições em que os sem-abrigo comem (jantam) esta refeição quente, nutritiva e bem confecionada (incluiu sopa, prato e sobremesa), estejam longe de ser as aceitáveis já que comem em pé, em locais demasiado expostos, sujeitos às intempéries do tempo e sem grandes condições higiénicas. Por isso, aqui vai um apelo (esperamos ser ouvidos) para quem de direito (ex: Câmara; Juntas de Freguesia e outras instituições) para que cedam espaços, em determinados pontos da cidade, que ofereçam o mínimo de requisitos para que seres humanos iguais a nós usufruam de algum conforto na refeição servida. Há tanto lugar na cidade disponível (ex: antigo hospital; lojas vazias) que podia e devia estar ao serviço do bem comum. Será pedir muito?
Os nomes com que abrimos este artigo representam simplesmente e simbolicamente um conjunto de pessoas de tantas e tantas que por esse país fora se dedicam ao seu “irmão”. Penso que não há nada na vida mais gratificante do que dar alguma coisa de nós a quem nada tem. O voluntariado, reconheça-se, é também uma oportunidade de exercício de uma verdadeira cidadania e um engrandecimento e enriquecimento da “alma”.
Todos os voluntários nas diversas e diferentes causas merecem o nosso reconhecimento e gratidão pois ajudam com o pouco que têm (muitos vezes só com o seu trabalho) sem pedir nada em troca. Somente os move um sentimento: ajudar o próximo. Bem-hajam! Continuem…
… e que o destino vos gratifique pelo bem que fazem no presente. Bem merecem!




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