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Uma regeneração

Não se trata do partido regenerador de D. Maria II. Longe vão esses tempos ainda que os circunstancialismos dessa época se comecem a assemelhar aos de hoje. Deixemos a história para os historiadores e vamos à crónica. O estado atual da política portuguesa, tão parecida “com a situação de desgoverno e de penúria com que Portugal se confrontou à época da rainha educadora”, pode sintetizar-se da seguinte maneira: uns são doidos por poupar, outros estão doidos para gastar. Os primeiros só veem o equilíbrio orçamental, os outros só veem os gastos com pessoal.

Paulo Fafe
2 Abr 2013

 Os orçamentistas entendem que Portugal precisa de equilíbrio financeiro, os despesistas entendem que” há mais vida para lá do orçamento”. E neste balanço de lançadeira maluca, que vai e vem sem saber onde se há de ficar, ou sequer parar, o povo move-se entre dois sentimentos antagónicos: quer mais vida para viver mas tem medo dos gastadores. Andamos a poupar para os que vêm gastar? Mas no seu bom senso pensa, no epicentro destes opostos, que nem tanto ao mar nem tanto à terra. Os partidos da alternância são o PSD o poupador e o PS o gastador. O meio termo, que está na génese deste português de  conciliador de costumes, e é génese do “porreirismo nacional”, percebe que nenhum destes dois partidos se reformula para abdicar das suas ideologias e práticas políticas. Nem se reformulam nem nunca se entenderão para bem de Portugal. Para isso seria necessário que um ar forte de regeneração viesse colocar o interesse nacional acima do interesse partidário. Era a regeneração. Ressuscitamos a nomenclatura do ‘terceiro liberalismo’ pela adequação que nos parece  adequada aos circunstancialismos em que vivemos hoje porque é preciso e urgente regenerar a política, os seus métodos e estratégias; alguém há de pensar no interesse de Portugal. Os jogos políticos partidários, pelo menos quem os observa na Assembleia da República, parecem-se mais com uma disputa de personalidades do que uma procura de soluções para Portugal. Regenerar significaria dar  uma nova vida moral a Portugal. Não é isto o que pretende o Dr. Rui Moreira com a sua candidatura à Câmara do Porto? Se ele diz Porto acima de tudo deveremos dizer todos e em uníssono, Portugal acima de tudo e de todos.  A obe-
diência a este princípio – Portugal acima de tudo e de todos – encerra em si toda a essência em que a portugalidade é leite materno; não é palavra vã, teria como objetivo nacional, fazer crescer a economia para que os portugueses vivessem à sua custa e não à custa de empréstimos usurários e à mercê das boas vontades de terceiros. E como é que isso se faz? É um mundo de coisas mas passa primordialmente pela mudança radical de mentalidade social quanto ao sistema de ensino: o ensino técnico profissional, como alicerce de empregos de qualidade técnica. O técnico seria  a peça que encaixaria na estrutura produtiva sem perda de aprendizagens maiores. Assim na indústria, no comércio, na banca, na enfermagem, nos serviços, etc. etc. A investigação elevaria os parâmetros do conhecimento e ficaria encarregue de atualizações permanentes. No mundo do trabalho o salário seria de acordo com a riqueza produzida: quanto trabalhas quanto ganhas, pouco trabalhas pouco ganhas. O trabalhador que não produzisse seria olhado pelos colegas como alguém que se estaria a prejudicar no valor do seu salário. O sangue de cada trabalhador deveria ser da cor da empresa. Só ela lhe garante o salário. Isto produziria riqueza. O dinheiro ganho garantiria a segurança, a educação e a saúde nacionais. Ressuscitar foi coisa divina, regenerar é coisa de homens.




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