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Onde anda a nossa esperança!

De pacote em pacote, de promessa em promessa, e agora com austeridade, sempre fomos caminhando para um retrocesso cada vez mais preocupante ou mesmo perigoso. Vivemos em crise profunda e com sinais demasiado graves de instabilidade social que pode pôr em causa a estabilidade, a segurança e a paz. Os condimentos todos os dias são associados a um menu cozinhado por políticos,  que pouco ou nada fazem para evitar o descrédito resultante do insucesso político de muitos anos.

J. Carlos Queiroz
2 Abr 2013

Cada vez sinto que os que um dia escreveram que «a sociedade portuguesa estava profundamente desmoralizada e que havia perdido a esperança e também  a confiança» tinham razão. Na verdade foram os maus exemplos do Estado que mais contribuíram para o desânimo generalizado.  Um país de desigualdades, desde o tratamento entre cidadãos, a grupos de pressão, ou mesmo criação de pequenos privilégios que se multiplicam e mostram um Estado pouco equitativo e ao mesmo tempo carente de meios económicos que se atrasa no cumprimento de obrigações, enquanto se discutem formas de reduzir o chamado Estado Social, mas também onde grande parte da administração pública age como se nada tivesse mudado,  é um país que se torna insensível e incapaz de planear a qualidade de vida das pessoas. Os portugueses aprenderam um dia a gostar das coisas boas  da Europa e quando hoje alguém os acusa de despesismo esquece que ele resultou de políticas erradas e não de quem sempre viveu em conformidade com o seu rendimento. Acabaram com as fronteiras, criaram a moeda única, prometeram estabilidade política e monetária, parecendo que essa Europa à qual pertencíamos era solidária e perfeita. Terrível engano, quando no seio da União Europeia tem residido um conflito latente, sendo os países do Sul da Europa os que mais sofrem com essas ondas de choque que se propagam e nos atingem. Parece agora evidente que estamos quase sós neste caminhar de austeridade em austeridade, sendo o mercado único incompatível com as exigências da moeda única. Foram muitos os que num passado recente se interrogaram sobre, como pode  a economia portuguesa competir com economias cujo valor produzido por hora é em média o dobro da nossa? Ou como podemos competir com economias que se financiam a taxas de juro muito inferiores às nossas? Falar em desvalorização da moeda parece ser aderir a uma terapia de choque com consequências imprevisíveis. Entretanto há quem advogue a ideia de uma saída do Euro após um perío-
do negociado para transição, da mesma forma que há quem defenda uma Europa dividida em grupos ou  ainda a  uma confederação europeia. São tudo cenários traçados, mas que depois são adiados. Sabemos agora que a austeridade está parta ficar e o grande desafio continua a ser encontrar uma resposta que seja saída para um futuro. Na verdade até nós andamos confusos em parte por culpa do governo que  ataca o Estado Social antes de o discutir, Afinal que Estado Social queremos? Porque atacamos o que temos sem antes apresentar qualquer alternativa credível? Vivemos mais de uma década de ilusão e somos agora sobreviventes desencantados. Entre ser país continental ou atlântico, está sobretudo a necessidade de vencer desafios e traçar um caminho com esperança. A insensibilidade política de quem governa para gerir a divida externa esquecendo as pessoas e os seus problemas, tem sido notória nos últimos meses, onde abundam medidas para diminuir rendimentos do trabalho e para retirar parte de pensões a quem delas necessita para viver. Falar ao país não deve constituir forma de anunciar apenas austeridade, mas deve ser proximidade, esclarecimento, motivação e trabalho, para transmitir esperança e anunciar um rumo de mudança. Agora que ninguém quer falar nas parcerias público-privadas, ou nos vencimentos e reformas elevadas, por vezes resultantes de medidas de excepção,  parece  ser muito pouco o que o governo vai anunciando como “medidas” para as Empresas públicas. Na verdade ninguém entende que tanta austeridade tenha resultado apenas em pobreza, desemprego, instabilidade social. Continuamos endividados, mas com menos esperança e pior que isso, sem um verdadeiro plano capaz de motivar e dar de novo esperança aos portugueses. Portugal é muito mais que um governo e parece que este já não vai conseguir transmitir a confiança necessária para  que os portugueses voltem a ter esperança.




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