Fotografia:
Caminho difícil e razões de esperança

Todos sabemos que a renovação na Igreja não se opera de um momento para o outro. O Papa Francisco abre janelas de ar fresco, dá passos em frente e razões de esperança a crentes e não crentes. Tudo isto numa Igreja em que o frio contagia, e se foi perdendo a credibilidade. Numa Igreja onde abundam as cátedras e escasseiam os gestos simples e a denúncia de tudo o que é complicado. Agora vemos que tudo se torna mais claro, porque se acende, de novo, a luz do Vaticano II, se aproximam de nós o rosto sereno e profético de João XXIII, o compromisso iniludível de Paulo VI, e, com os últimos dois Papas, a urgência de levar o Evangelho de Cristo a todos os povos e de lutar, intrepidamente, pela verdade que salva.

D. António Marcelino
31 Mar 2013

Muitos, em tempos que perduram, vinham lutando pelo prestígio da Igreja, julgando e dizendo tratar-se de acontecimentos e de pessoas do passado. Assim se foram fechando portas à ação do Espírito, o Único que dá vida e renova. Assim se foram contagiando, com critérios de êxito humano, os que vivem imersos numa superficialidade sem futuro, num Evangelho sem compromissos. Na tentação de descentrar a Igreja do seu verdadeiro Centro, Jesus Cristo, ele se foi tornando mais côdea que miolo.
Há na Igreja temas conciliares e rea-lidades, de há tempos menos apreciados e atendidos, se não mesmo esquecidos, que esperamos que revivam com o Papa Francisco: a riqueza do Povo de Deus, a responsabilidade evangelizadora e unificadora do Colégio Apostólico, a autonomia e a capacidade renovadora das dioceses ou Igrejas locais, a força social e apostólica do laicado cristão, a liberdade e o pluralismo enriquecedor no seio da Igreja e das suas comunidades, a eficácia dos meios pobres do Evangelho (oração, diálogo, capacidade de sacrifício e de dom, humildade, confiança mútua…), o lugar da família, em muitos aspetos insubstituível, a atenção dada a todos e, com especial visibilidade, aos mais pobres e marginalizados das comunidades…
Se os mais responsáveis e esclarecidos não se abrirem ativamente à desejada renovação, se não estiverem atentos aos gestos estimuladores do novo Papa, se não se facilitarem novos caminhos e percursos, se não se contar mais com Deus do que com o engenho humano, o sonho que sonhamos pode redundar em pesadelo. Nada está feito e completado, tudo o que o necessita pode estar a ser começado, nada do que está certo pode ser menosprezado e esquecido.
Vivemos o momento pascal de ultrapassar as formas de inércia e de morte, e de dar lugar, com Cristo Ressuscitado, a novos compromissos de vida, traduzidos, a exemplo de Cristo, em serviço que aviva a Mensagem, enriquece a Missão e gera fraternidade.
Para Deus, como bem no-lo ensinou Jesus, contam as pessoas. Tudo o resto não passa de meios para as servir, as ajudar a crescer e a estimular até à sua plena rea-lização espiritual, porque só esta traduz e corresponde à verdadeira realização humana.
O Papa Francisco aparece-nos como um cristão consciente da sua missão. Não se endeusou, nem deixa que o endeusem. A sua simplicidade, o seu amor aos pobres, a sua linguagem corrente, a oportunidade dos seus gestos, o dispensar formas tradicionais de vestir e de aparecer, o pedir mais do que prometer ou dar, tudo comporta, em símbolos vivos, a mensagem que quer viver, testemunhar e transmitir. Uma mensagem de verdade que a Igreja precisa e que a sociedade aprecia e deseja.




Notícias relacionadas


Scroll Up