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As infidelidades

As infidelidades são de todos os tempos e significam desistência e negação de compromissos assumidos. Podem ter diversos graus de importância, conforme a natureza do objeto e as consequências resultantes.Este tema tem muitas aplicações. Uma delas é a atinente aos compromissos matrimoniais, cuja dissolução deixa atrás de si dramas complicados, sobretudo relacionados com os filhos dos casais. Mas aplica-se também aos compromissos relacionados com a fé e a religião. Neste tempo do ano litúrgico, em que se vive o mistério pascal da Paixão, Morte e Ressurreição do Salvador com maior profundidade, há certas atitudes de personagens centrais que nos deixam bem reflexivos e conscientes de deveres fundamentais na vivência da fé.

Manuel Fonseca
31 Mar 2013

Na hora trágica do mistério sofredor de Cristo, quando era de esperar a fidelidade total dos seus apóstolos, eis que desertam quase na totalidade. E há um que O nega e outro que O vende por trinta moedas de prata, utilizando um beijo frio de traição.
A graça de Deus foi mais forte que a negação de Pedro e o abandono dos restantes. E eles haviam de regressar à obra para que foram chamados, exceto Judas Iscariotes, que, olvidando a misericórdia divina, se deixou afundar no desespero, acabando no suicídio. Ficou-se pela infidelidade, que o acompanhou para além da morte e do túmulo.
Talvez este fim tenha sido o culminar de muitas infidelidades e injustiças de tesoureiro do colégio apostólico. A sua ambição pelos bens materiais já o tinha marcado com atitudes ofensivas para com o Mestre, como no caso da mulher pecadora, que, chorosa e arrependida, ungiu os pés de Jesus com lágrimas e perfumes, afirmando que teria sido melhor vender o perfume e dar o dinheiro aos pobres, manifestando uma falsa caridade, como testemunha o narrador evangélico do episódio.
Este apego ao dinheiro foi o móbil da sua mancomunação com os inimigos de Jesus, para vender o Mestre e receber o respetivo quinhão do produto da venda.
A narrativa da Paixão e Morte do Salvador é um apelo sério à nossa conduta em sociedade. É dever de cada um proceder com dignidade e justiça nos contratos que faz e não se deixar transviar pela avareza e corrupção.
No mundo atual, há péssimos exemplos deste mercado de apegos, injustiças, fraudes e violências morais e físicas.
Um dos apelos da fundação do Reino de Deus, por meio de Jesus Cristo, foi o do arrependimento dos pecados e da resolução sincera e firme duma vida nova, pautada pela lei de Deus, impressa na escrita e também na consciência.
Esta mundividência moral e espiritual ajuda a uma sociedade mais saudável e promissora, com esperanças novas para este mundo e para a escatologia do fim dos tempos.
Esta dimensão espiritual é relevante na vida dos seres humanos, que são seres corruptíveis, sujeitos ao desgaste do tempo e da morte física. E abrange a todos, mesmo aqueles que se declaram agnósticos e ateus. Eles não podem prescindir duma luz interna que, de vez em quando, os alerta e chama a atenção para valores supraterrenos, como afirmava, há dias, na rádio, um psicólogo.
É necessário agir e não permanecer na modorra da preguiça e da indiferença.
A luz da boa-nova, que Cristo trouxe à humanidade, irradia frequentemente e, às vezes, com influxos assaz evidentes. É necessário estar atentos para não cairmos na infidelidade final, que pode ser demasiado comprometedora.




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