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Sábado Santo – Fim do Tríduo Pascal

A Igreja celebra hoje o Sábado Santo, o dia anterior à Ressurreição de Jesus. Depois das cerimónias de Quinta-feira Santa e de Sexta-feira Santa, com a Morte de Jesus, o mundo ficou em trevas. Os discípulos depois da Morte de Jesus na Cruz fugiram todos menos João que com Maria, a Mãe de Jesus e as Santas Mulheres, foram fiéis. Jesus no fim da Sexta-feira, foi sepultado num túmulo novo cedido por José de Arimateia: sem nada veio ao mundo e sem nada dele parte! É um convite ao desprendimento voluntário dos bens terrenos que não acompanham ninguém, quando morremos.

Maria Fernanda Barroca
30 Mar 2013

Aproveito para referir umas palavras que li ditas pelo Santo Padre Francisco: “Nunca vi um carro funerário seguido do camião de mudanças de mobílias”. Como é óbvio, quis dizer, de um modo ao mesmo tempo divertido e gráfico, que quando morremos não levamos nada.
Os inimigos, recordando que o Senhor anunciara que ressuscitaria ao terceiro dia, tomaram todas as precauções, mandando selar a pedra do sepulcro. Mas, no Sábado de madrugada, quando lá voltaram deram com o túmulo aberto e vazio. Os guardas não sabiam explicar o que acontecera. Mas como os «filhos das trevas» são muito astutos, disseram aos guardas para propagarem a mais estrondosa e ridícula mentira: “enquanto dormíamos, os seus vieram e roubaram o corpo de Jesus”. Guardas a dormir? Não servem para nada, a não ser para dizer que «viram» os discípulos roubar o corpo! 
O Sábado Santo, também chamado Vigília Pascal, é a celebração mais importante do calendário litúrgico cristão, porque vivido no silêncio, é a primeira celebração oficial da Ressurreição de Jesus.
A vigília começa após o pôr-do-sol no Sábado Santo fora da igreja, onde o fogo é abençoado pelo celebrante. Este novo fogo simboliza o esplendor do Cristo ressuscitado dissipando as trevas do pecado e da morte. O Círio pascal é abençoado com um rito muito antigo. Este Círio será usado em toda o Tempo Pascal, permanecendo no presbitério da igreja, e durante todo o ano em Baptismos, Crismas e Funerais, lembrando a todos que Cristo é a “luz do mundo”. Assim que o Círio for aceso segue o antigo rito do Lucernário1, em que a vela é carregada por um sacerdote ou diácono através da nave da igreja, em completa escuridão, parando três vezes e cantando a aclamação: “Lumen Christi” ou Luz de Cristo, ao qual a assembleia responde “Deo Gratias”ou Graças a Deus.
Entrado na Igreja, esta pede que as forças do céu exultem com a vitória de Cristo sobre a morte, passando pela libertação do Egipto e até mesmo agradecendo a Adão pelo seu pecado “indispensável”, pois as consequências de tal pecado foram o motivo da vinda de Cristo. (Ó feliz culpa que nos mereceu tão grande Redentor!)
Ao findar do canto apagam-se as velas e inicia-se a Liturgia da Palavra, composta de sete leituras do Antigo Testamento, seguida cada uma por um salmo e uma oração relativa a aquilo que foi lido. Depois de concluir estas leituras, é entoado solenemente o Gloria in excelsis Deo (Glória a Deus nas alturas). Os sinos, sinetas e campainhas da igreja devem ser tocados. É a primeira vez que se entoa o “Glória” desde a Quarta-feira de Cinzas, com excepção da Quinta-feira Santa.
Após a celebração da Liturgia da Palavra, a água da Pia baptismal é solenemente abençoada e quaisquer catecúmenos e candidatos à plena comunhão são iniciados na Igreja, pelo Baptismo ou Confirmação. Após a celebração destes sacramentos da iniciação, a assembleia dos fiéis renova as promessas do Baptismo. Segue–se a oração dos fiéis.
 Depois da oração, a Liturgia Eucarística continua como de costume, sendo tradição a utilização da Oração Eucarística I, ou Cânon Romano, a mais solene de todas. Esta é a primeira Missa do dia da Páscoa. Durante a Eucaristia, os recém-baptizados adultos recebem a Sagrada Comunhão pela primeira vez, podendo ou não serem crismados também. De acordo com as rubricas do Missal, a Eucaristia deve terminar antes do amanhecer.
A partir deste dia, ao meio-dia a recitação do Angelus, em louvor de Nossa Senhora, é substituído pelo Regina coeli laetare (Rainha do Céu alegrai-vos).

1 Lucernário: Nos primeiros tempos da Igreja, os cristãos santificavam o fim do dia com uma prece comunitária. Nos mosteiros, cantavam-se as “Vésperas” ou “Completas”. Nos meios paroquiais, porém, era costume fazer o “Ofício do Lucernário” e as antigas “Vigílias”, muito frequentes, ainda, nas Igrejas Orientais e que começam a difundir-se no ocidente.




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