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“Indignidades democráticas”

A capacidade política de suportar e de receber nos seus braços todo o tipo de comportamentos desviantes, de mentiras e de indignidades é uma das virtudes fortes do regime democrático nacional. Perante situações gravíssimas que atentam contra o Estado de Direito, contra o desenvolvimento do país e contra as esperanças legítimas dos cidadãos, a nossa democracia reage com muita bonomia e suficiente superficialidade para enfrentar e combater a gestão ruinosa da coisa pública, a argumentação falaciosa dos principais agentes políticos, a falta de rigor dos negócios do Estado e a adulteração dos programas eleitorais com que os partidos se apresentam a eleições.

Armindo Oliveira
30 Mar 2013

Permite também que a Justiça funcione só para o lado dos mais fracos e não seja capaz de estigmatizar, condenar e confiscar os bens a todos aqueles políticos que chegaram ao poder sem um tostão e que hoje apresentam fortuna de milhões.
Esta reflexão vem a propósito de mais algumas “indignidades” que me sensibilizaram e me incomodaram fortemente como cidadão que gosta de liberdade e de democracia.
Noticiava há dias a comunicação social que José Sócrates foi contratado pela RTP para ser comentador político. Como sabemos e bem sentimos, Portugal, neste momento, está a atravessar um período muito delicado da sua história e foi na governação deste ex-primeiro-ministro que o país pediu o resgate para o salvar da bancarrota. Por isso, seria expectável que José Sócrates declinasse o convite até que a situação ficasse mais aliviada. Entendo, portanto, que na política também tem que haver um período de “nojo”.
Tenho muitas dúvidas acerca da autenticidade política das listas independentes que se apresentam a eleições, particularmente nas freguesias, mas que já foram patrocinadas pelos partidos que agora se encontram na oposição. Existe a perceção que estas mudanças partidárias se prendem com a possibilidade dessas listas se posicionarem melhor no espetro político local para obterem resultados estruturais para as freguesias que lideram que, de outro modo, se tornavam inviáveis. O primado da democracia assenta no respeito sagrado pela vontade popular expressa no voto e pela aceitação plena dos resultados eleitorais, não importando quem esteja a dominar a Câmara Municipal.
As candidaturas de Filipe Menezes no Porto e de Fernando Seara em Lisboa, entre outros, têm causado muita perplexidade e muito debate na sociedade portuguesa. No meu ponto de vista, estas candidaturas contrariam em absoluto o espírito da lei que tinha como base a renovação de pessoas para se evitar a eternização no poder e os famigerados clientelismo e nepotismo. É inaceitável que o maior partido autárquico dê cobertura a estas inovações democráticos que em nada favorecem a saúde do regime e a própria essência da vitalidade da alternância de poder.
Para finalizar, refiro agora o caso da possível “moção de censura” ao Governo que o líder do PS vai apresentar à Assembleia da República. Apesar da incapacidade deste Governo de criar as condições normais para superar a terrível crise económica, ninguém acredita que o mesmo partido que nos levou ao resgate e às dificuldades extremas reencarnará como o salvador da Pátria sob a batuta de António José Seguro.
Não é, com certeza, com esta escola política e com esta “democracia” que um dia Portugal recuperará a esperança e a dignidade para viver em paz, no bem-estar e no progresso.




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