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Gentes da minha terra

Vivem-se tempos onde crise, desemprego e empobrecimento são as palavras de ordem que acompanham grande parte dos meios de comunicação social e das conversas de café de uma esmagadora parte dos portugueses. É, no entanto, em contextos de dificuldade e de uma inevitável mudança na vida social e económica que todos devemos ganhar forças e fazer das dificuldades vitaminas capazes de nos dar a audácia para procurarmos e desbravarmos novos caminhos.

João Vilela Bravo
29 Mar 2013

Pois bem, um desses caminhos é, sem dúvida, uma aposta clara e firme em dois sectores para os quais temos condições incomparáveis: agricultura e turismo.
Recentemente, iniciei a elaboração de um projecto agro-pecuário numa das zonas mais bonitas do nosso país, as terras de Basto (Cabeceiras de Basto). Desde outubro, altura em que deixei de residir no centro da cidade de Braga (numa freguesia com mais de vinte mil habitantes) e me instalei numa aldeia com cerca de trinta habitantes situa-
da mesmo nos limites do concelho, tive oportunidade de conhecer uma realidade que desconhecia e com a qual tenho vindo a ficar seriamente surpreendido, pela positiva, claro está.
Percorri aldeias serranas como Vilar de Cunhas, Samão, Uz, Toninha, Moscoso entre muitas outras, onde enormes rebanhos de caprinos espalhados pelas imensas e infindáveis montanhas aí existentes, configurando-se como parte de uma paisagem estonteante e que creio poucos saibam que existe em Portugal. Visitei a Vila de Cabeceiras de Basto, onde à segunda-feira se realiza o principal evento económico, mas principalmente social, a feira semanal, altura onde todos os guardiões dos montes e vales do concelho se juntam e socializam; remetendo–nos a outras civilizações, nomeadamente a grega onde os cidadãos se reuniam na ”Ágora” para debater os assuntos da “pólis”.
Tive oportunidade de visitar Arco de Baúlhe onde me foi dado a conhecer a nova ciclovia localizada na antiga linha ferroviária.
Ao longo de todo este percurso tenho vindo a estabelecer contacto com os dirigentes das várias instituições do concelho nomeadamente com presidentes de junta, vereadores, e é espantoso perceber a vontade e o empenho destes homens e mulheres, que lutam para do pouco fazerem muito, no apoio a todos aqueles que se propõem criar riqueza no concelho, a nível económico, social e cultural. São pessoas que, conhecendo muito bem a realidade da sua terra, não desistem de esclarecer a população criando-lhes mecanismos que lhes permitam melhorar as suas condições de vida e, consequentemente, permita também o desenvolvimento pensado e sustentado das suas terras.
Foi depois de conhecer tudo isto que comecei a reflectir numa questão: com que legitimidade é que certos senhores e senhoras de fato e gravata instaladas na comodidade da grande metrópole, Lisboa, decidem unilateralmente matar aquele que é o único órgão capaz de ouvir, acompanhar e ajudar os povos resistentes em lugares há muito esquecidos? Com que legitimidade certos senhores que têm desgovernado o país nos últimos tempos impõem o fim de muitas freguesias impedindo que a população tenha um órgão de proximidade ao qual pode recorrer para resolver aqueles problemas que aos mais citadinos até podem parecer de pouca significância? Mais grave me parece tal atitude, na medida em que a maioria do trabalho realizado pelos presidentes dessas juntas agora aniquiladas é feito a título voluntário…




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