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O (mau) conselho do Professor Marcelo

Ao escrever esta crónica, tenho plena consciência de que haverá potenciais leitores que não concordam com o título que a encima. E isto porque encaram as preleções dominicais (na TVI) do Professor Marcelo Rebelo de Sousa como verdades quase dogmáticas, impassíveis de crítica ou de discordância pública… Confesso que admiro a inteligência do Prof. Marcelo, as suas competências comunicacionais e a sua argúcia interpretativa de “factos políticos”, concorde ou não com o conteúdo das suas afirmações. Porém, já coloco sérias reservas à sua propensão para falar sobre todas as matérias, como um vulgar “especialista em generalidades”. E causa-me também alguma apreensão a maneira formalmente persuasiva como quer chegar ao público, apresentando os seus juízos como verdades absolutas, perenes, indiscutíveis.

Victor Blanco de Vasconcellos
28 Mar 2013

Dito isto, vamos ao que, em concreto, me traz hoje à reflexão com os leitores e ao que justifica o título da presente crónica:
Nos últimos tempos, o Prof. Marcelo tem insistido na ideia de que o grande “problema” do atual Governo não está nas medidas de austeridade que decide e impõe aos portugueses – mas sim na forma ineficaz e “errada” como “comunica” essas medidas. Na sua (dele, Prof. Marcelo) ótica, o Governo está a ser mal aconselhado nesta área, pois o eleitorado “aceitaria” melhor essas medidas se elas fossem adequadamente “explicadas”. Como se (digo eu) o Povo comesse, em vez de bifes, saborosas “explicações”, ou estas pagassem rendas de casa, energia elétrica, água, etc.!
Recentemente, o Prof. Marcelo acrescentou outro “dogma” às suas perorações: segundo ele, o Governo também não sabe potenciar o que de “bom” vai ocorrendo, obscurecendo ele próprio os “êxitos”, prejudicando a sua própria imagem. E deu como exemplo o que se passou recentemente com as afirmações do primeiro ministro, no Parlamento, sobre o salário mínimo nacional. Disse o Prof. Marcelo, da sua “cátedra” televisiva, que o dr. Passos Coelho, em vez de divulgar o que pensa sobre o assunto, deveria ter contornado a questão, dizendo aos deputados e ao País que essa matéria estava ainda em discussão em sede de Concertação Social, pelo que não se pronunciaria sobre ela…
Ora, este é, na minha perspetiva, um exemplo de mau (muito mau) conselho do Prof. Marcelo. Porque aconselhar um Governo, e particularmente o atual primeiro ministro, a “driblar” os problemas com malabarismos de linguagem e subterfúgios mentais, de índole populista, iludindo os portugueses sobre o que pensa, é algo que já vimos no passado recente – com os terríveis resultados que se conhecem!
Se o Prof. Marcelo leu Cervantes, deveria recordar o que este sabiamente escreveu sobre a verdade, e que o Povo tomou como “máxima” sua: “A verdade alivia mais do que magoa; e estará sempre acima de qualquer falsidade… como o azeite sobre a água”!




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