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As infinitas capacidades da natureza humana (III)

Muitas pessoas dão demasiadas oportunidades a impulsos selvagens do governo sobre a sua disposição de ânimo e sobre as suas paixões e emoções, tornando-se ferozes lobos de si e dos outros, transformando-se, em poucos anos, em prepotentes ditadores que fazem vergar os seus súbditos aos seus caprichos e devaneios de mentes captas. E o mais grave e paradoxal é que levam a água ao seu moinho em nome da democracia, da igualdade, da solidariedade e da defesa dos mais carenciados! E então sucedem-se as perseguições aos seus opositores, as vinganças pessoais, os saneamentos políticos, as violações arbitrárias e todo um mar de atrocidades desumanas.

Artur Gonçalves Fernandes
28 Mar 2013

A coberto da implementação da “moralidade” à sua maneira, eles dão, infelizmente, a primazia ao instinto animal. Tudo isto acontece porque os princípios éticos e cívicos estão em quase total abandono e desprezo, caminhando as sociedades modernas para um precipício que se pode tornar irreversível. As referências a Deus e aos valores espirituais estão a ser menorizados nas comunidades ocidentais. É imperioso arrepiar caminho e enveredar pela recuperação dos valores morais humanos que são o verdadeiro pilar da existência harmoniosa do homem e das nações.
Paul Tounier escreveu: “Não é necessário ser um grande sábio para ver que o nosso mundo de hoje está doente. De que doença sofre? A doença típica da nossa época é a neurose. A neurose é um conflito interior. O que caracteriza a neurose é fundamentalmente a ansiedade. A sua causa está na nossa civilização materialista e amoral que já não corresponde às necessidades mais profundas da alma. Quanto mais o homem se afasta de Deus, mais neurótico se torna.” As potencialidades da natureza humanas são tão grandes que a maioria das pessoas, infelizmente, não as conhece profundamente. A divisão tripartida da natureza humana também referida por S. Paulo (física, mental e espiritual) continua a ser verdadeira, mesmo que certas culturas a queiram não só ignorar, mas até negar. E o nosso espírito é a parte mais relevante do homem, embora na sua união com a corporalidade, constitua um só ser. O maior feito de cada ser humano é manter essas três dimensões harmoniosamente desenvolvidas e em perfeito estado. Os valores espirituais trazem-nos paz e uma verdadeira felicidade de viver. Só os desvios abusivos desta harmonia podem defraudar a existência do homem neste mundo terreno.
As teorias ideológicas do ateísmo, do agnosticismo e do laicismo enganam os seus próprios seguidores, podendo arrastá-los para um estado de felicidade fictícia, enganosa e conducente a um vazio perigoso e desconfortante. O homem deve ir buscar à sua natureza a imaginação que puder – e há muito a colher; deve experimentar as provas que poder através da investigação científica – e há muito a fazer; mas, se o homem foi feito para Deus, continua a haver uma parte dele à procura desse mesmo Deus para com Ele comungar. Só assim viverá verdadeiramente. Tudo o mais é efémero e ficará sem sentido e sem significado. O homem é espiri-tual e, deste modo, perfeitamente capaz de aperfeiçoar o processo de se harmonizar na sua totalidade e assim se manter indefinidamente.
A nossa única esperança de encontrar uma fonte inesgotável é, portanto, sentir e viver o infinito. É o poder divino no homem que domina o tirano ou a fera, que lhe dá um coração humilde, correto e justo que satisfará plenamente a sua natureza e o fará proceder como deve ser. O estudo do homem na sua totalidade é que pode ser a ciência da nova era espacial e tecnológica. Será a única esperança de impelir o homem para uma idade de autêntico desenvolvimento, progresso, em vez de uma era de decadência, depravação e destruição.




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