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A FIFA no seu pior

Na madrugada de sexta para sábado, dia 23, disputou–se um jogo de apuramento para o Mundial de 2014, entre os Estados Unidos da América e a Costa Rica, em Denver, no estado do Colorado. Para nós, portugueses, este jogo pouco interesse tem. No entanto, ali aconteceu algo de paradigmático. No início do jogo nevava abundantemente; o campo de jogo estava totalmente coberto de neve. Os jogadores, a equipa técnica e os delegados da Costa Rica insistiam com a equipa de arbitragem para que o jogo fosse adiado. Estes, perante um estádio cheio e perante a insistência dos norte-americanos no sentido de realizar o jogo naquelas condições (que teoricamente os favoreciam) deram por iniciada a partida.

Manuel Cardoso
28 Mar 2013

Ao longo dos noventa minutos o nevão intensificou-se; as imagens disponíveis na internet são impressionantes: durante a maior parte do jogo não se viam as linhas de marcação de terreno de jogo; as próprias câmaras de televisão tinham dificuldade em mostrar o que se passava no campo. No entanto, com os EUA a vencer desde os 16 minutos, a equipa de arbitragem recusou–se a interromper o jogo.
Mais tarde, os costarriquenhos protestaram o jogo perante a FIFA, solicitando a sua repetição. A FIFA recusou o protesto. A estrutura presidida pelo sr. Blatter e secundada pela imensa sapiência de Platini, entendeu que um jogo de futebol sem linhas visíveis no campo e sem visibilidade a mais de 15 ou 20 metros, embora contra as regras, tem de ser validado. Os EUA são um país poderoso. Ganharam o jogo. Os costarriquenhos tinham razão perante as regras aprovadas pela própria FIFA. Mas a razão foi administrativamente dada aos norte-americanos. Afinal, havia duas razões. Mas qual a razão que pesa mais? A da FIFA ou a das leis? A resposta a estas perguntas está dada.
Perante isto, os adeptos da Costa Rica, na terça-
-feira, na receção à Jamaica, à entrada da bandeira da FIFA, voltaram as costas ao campo e entoaram gritos de protesto exibindo cartazes indignados contra a prepotência e a injustiça da decisão da FIFA. A história terminou com a vitória por 2-0 sobre a Jamaica. Consta que esteve bom tempo e os jamaicanos não protestaram o jogo.
Histórias como esta vão ajudando a enegrecer cada vez mais a bandeira da FIFA, afundada em escândalos e suspeições. Enfim, talvez a FIFA seja apenas mais um reflexo deste mundo em que, mais do que nunca, não se pode deixar que dos fracos reze a história.
Cá pela velha Europa já nos habituamos aos escândalos da FIFA, à prepotência do sr. Platini, ao predomínio de alguns interesses “superiores” no futebol, mas talvez um dia haja coragem para fazer como os adeptos da Costa Rica e voltarmos as costas a quem não merece mais que desprezo.
Em 2011 Blatter foi reeleito por larga maioria para a presidência da FIFA, mesmo após o escândalo da venda de votos para atribuição dos campeonatos do mundo de 2018 e 2022. Está no cargo há 15 anos e vai a votos novamente em 2015. Mas todos nós já sabemos que tudo vai continuar na santa paz.
A todos os leitores do DM os votos de uma Santa e Feliz Páscoa.




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