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Conhecimento e seus progenitores

Há dois culminantes momentos, tecidos de satisfação por mim. Um deles evidencia-se, quando começo a sair do poço tenebroso, escuro e cego da minha ignorância, para, positiva e progressivamente, me banhar no lago da luz irradiante do conhecimento. O outro evidencia-se, quando liberto dos grilhões pesados e doridos das minhas teimosas ditaduras, começo a respirar o ar puro, fresco e oxigenado, da minha destemida liberdade, ao deambular, pausadamente, por entre os renques de elegantes choupos. Começo, também, a ouvir o troante cacarejar da minha altiva autonomia.

Benjamim Araújo
27 Mar 2013

Relativamente à noção de conhecimento, qual foi a compreensão que herdei do berço académico? Foi a compreensão de que o conhecimento é uma união intencional de mim (como conhecedor) com tudo aquilo que me rodeia (o conhecido).
Da pureza de tudo o que nos rodeia (os fenómenos) só vem luz, agradável ou não: a luz da sua presença (imagem sensorial) e a luz do seu significado (imagem mental); a luz da sua bondade e fraternidade; a luz da igualdade, justiça e verdade; a luz da sua sabedoria, beleza e acolhimento. Vou afirmar, então, que o conhecimento é o banho e o mergulho nas ondas espumosas de luz, que irradiam da sua presença e do seu coração.
Sou um persistente e teimoso conhecedor dos quatro níveis do conhecimento: o das imagens sensoriais (as representações), o das imagens mentais (os conceitos), o do meu ser autêntico (o transcendental) e o de Deus (o transcendente). Quem são os progenitores destes conhecimentos de que sou testemunha?
Partindo obrigatoriamente da pessoa, sempre envolvida nos conhecimentos, vou afirmar que, da união entre a observação e os fenómenos (progenitores), resulta a representação (sensação, conhecimento) dos fenómenos.
Com fundamento nesta união, é de considerar, em função da maturidade, sanidade e virilidade da representação dos fenómenos, que este namoro se desenrole em descontrações, serenidade, paz, otimismo e esperança. Desta união há toques de beleza nos olhos; de ternura no beijo; de suavidade no contacto; sonoridade e harmonia no ouvido; espanto gracioso nos movimentos; gosto no paladar e êxtase no sexo.
Dentro da mesma dinâmica evolutiva do conhecimento, vou, com todo o empenho, apontar, com o dedo indicador, para estes progenitores (mente e representação). A mente vai fecundar a representação e vai ser dado à luz o conceito.
O progenitor do nosso ser autêntico, de que tenho conhecimento, é o poder, o amor e a sabedoria de Deus, no qual o poder, o amor e a sabedoria são uno. O progenitor de Deus, que conheço através do meu autêntico ser, é o mesmo Deus.
A educação do conhecimento e seus progenitores, no campo sensorial e mental, deve estar definitivamente orientada para a sua própria fonte (o ser autêntico), com o fim da educação libertar a sua verdadeira liberdade, autonomia e conhecimento, das ditaduras e instrumentalizações (saídas dos extremismos, ignorância, ilusões, preconceitos e medos).
A ignorância prontifica-se a bater o pé, desalmadamente, ao conhecimento do ser; a mente, por sua vez, reforça-lhe essa atitude.
Quanto ao fardo das imperativas ditaduras, é próprio da mente justificá-las com o seu grande poder de argumentação. Aliada à mente, é próprio da arquiteta imaginação cobri-las com violetas de perfumadas ilusões.




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