Fotografia:
As lajes e os imbróglios

A quem deambula ou flana pelas recém-regeneradas zonas da cidade, é-lhe oferecido um lamentável espetáculo: lajes partidas, esbeiçadas, desniveladas, manchadas de óleo e chicletes. Então, a passadeira junto à entrada do Banco de Portugal, na Arcada (sala de visitas cá do burgo), parece mesmo uma zebra da savana africana, tantas são as manchas negras que a pintalgam. E, assim, se olharmos, com olhos de ver, para o piso da Avenida Central (lado sul), já podemos prever a degenerescência que, daqui a alguns (poucos) anos dominará estas zonas pedonais.

Dinis Salgado
27 Mar 2013

Ora, isto acontece porque se quis fazer coabitar peões e automóveis, onde apenas, dada a morfologia do solo, somente aqueles deviam circular. E, agora, como o que não tem remédio remediado está, só temos que lamentar esta festejada regeneração que, depressa, virando vai patética degeneração.
E interrogamo-nos: afinal, de quem é a culpa? Da Câmara Municipal, dona da obra, ou da(s) empresas(s) responsável pela sua execução? Porém, das duas uma: ou as lajes são de má qualidade ou a sua espessura talhada não foi para suportar as toneladas que sobre elas quotidianamente impendem.
Todavia, uma questão se levanta: para quê tanta ufania e propaganda sobre a criação da maior zona pedonal do país que tão depressa se degrada e degenera? Será que nos querem dar música ou tudo não passa de um exercício de populismo e demagogia pré–eleitoral?
Pois bem. Os milhões gastos, assim, tão ingloriamente fazem-nos pensar que a sua utilização melhor sucedida seria em projetos de outra consolidação, dimensão e alcance, mormente os de índole social e cultural. Até porque os remendos a que, periodicamente, terão de ser sujeitos tais espaços, para além dos incómodos e do mau aspeto que causam, constante sorvedouro serão de dinheiros públicos. Dinheiros que, vindos de fundos europeus ou saídos dos cofres da Câmara Municipal, e mesmo que em tempos de vacas gordas vivêssemos, discutível é se mereciam esta gravosa aplicação.
Por isso, os bracarenses de bom senso e preocupação acrescida sobre a vida da sua cidade querem saber a explicação que a Câmara Municipal tem para lhes dar sobre a situação. Tanto mais que, nos tempos de vacas magras, escanzeladas, tuberculosas em que vivemos, migalhas são pão e, por aí, já há muito quem dificilmente a elas tenha acesso fácil.
Depois, quando constatamos o aumento imparável e cruel, com que a Câmara nos mimoseia, de impostos, taxas, licenças, derramas, dos transportes públicos, da água, do lixo e do saneamento e, ainda, assistimos, ultimamente, à implantação e proliferação implacável de glutões (parquímetros) por mais de cinquenta ruas da cidade, lícito é perguntar:
– É bom viver em Braga?
É lógico responder:
– Só pr’alguns! Só pr’alguns!
Então, até de hoje a oito.




Notícias relacionadas


Scroll Up