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Refletindo sobre o presente!…

Por estes dias, as nossas consciências têm sido penosamente sacudidas pelas várias notícias que nos invadem os sentidos. Já chegavam os rumores sobre a possível rejeição pelo Tribunal Constitucional (TC) de algumas normas do Orçamento do Estado (OE) do ano em curso e as mudanças de estratégia do Partido Socialista para nos desassossegar. Porém, as novidades da Europa, sobre as imposições que pretende impor a Chipre, para que possa beneficiar de um empréstimo que lhe evite a bancarrota, são ainda mais angustiantes.

J. M. Gonçalves de Oliveira
26 Mar 2013

Se a nível nacional sobram razões para aumentar a inquietação com que temos vivido, os ventos oriundos de Bruxelas, nestes últimos dias, são suscetíveis de nos fazer mergulhar num verdadeiro estado de deprimente revolta.
As consequências de um parecer do TC que ponha em risco o OE serão sempre catastróficas. Pensando que o Governo será capaz de resistir a tamanho revés e se dispõe a fazer as necessárias e difíceis correções, ficará sempre um frágil remendo que poderá pôr em risco a estabilidade governativa.
Em diferente patamar, mas não deixando de concorrer para o semblante carregado dos nossos horizontes, está a viragem concretizada por António José Seguro ao anunciar o propósito de apresentar uma moção de censura no Parlamento. Mais do que a concretização do divórcio há muito anunciado, será uma
saída que lhe permite manter os seus efetivos temporariamente aquartelados, até um eventual cenário político que o deixe sobreviver.
Internamente, além destes dois factos que não podem deixar de nos alarmar, é evidente o estado de sacrifício de algumas figuras do Governo a merecerem umas férias prolongadas, que permitissem refrescar o executivo e, assim, dotá-lo com nova energia e renovadas capacidades.
Externamente, no que diz respeito às imposições da União Europeia a Chipre, traduzidas no saque dos depósitos, mais do que uma tenebrosa exigência, é mais uma prova de que a solidariedade na comunidade é palavra morta e um sinal de que o Velho Continente corre sérios riscos de apressada desintegração de consequências imprevisíveis.
É neste panorama de dúvidas sem fim e de imensos sobressaltos que temos de ser capazes de fazer os nossos próprios ajustamentos.
Com a Europa em arrastada decadência, mergulhada numa crise sem paralelo e onde vagueiam fantasmas do passado, mais do que nunca é necessário descobrir em quem confiar para nos vermos livres de tamanhos pesadelos. Impõe-se não negligenciar a necessidade de regressar a valores de um passado não muito distante, se quisermos preservar valias civilizacionais que nos possibilitaram alcançar padrões de progresso nunca atingidos.
As provas de despreendimento e de amor ao próximo que já nos testemunhou o novo Papa Francisco, poderão ser um sinal do caminho que teremos de percorrer. Um caminho onde termos como paz, solidariedade e fraternidade voltem em força ao léxico da nossa linguagem e, mais do que isso, passem a caracterizar as ações, por mais simples que sejam, da nossa convivência social. Um regresso a um passado onde palavras como honra, dignidade, caráter e experiência voltem a ser valorizadas e onde a escola da vida assuma novamente a preponderância que a prática lhe conferiu e não seja sistematicamente preterida.
Na verdadeira encruzilhada em que nos encontramos, mais do que maldizer os desfavores do destino, impõe-se fazer as escolhas que nos afastem dos precipícios que diariamente parecem estar mais perto. Em lugar de carpir mágoas, compete a cada português com serena inteligência dar o seu contributo para a construção de uma consciência coletiva forte, capaz de nos permitir acreditar, com laivos de fundada esperança, que teremos um futuro mais promissor. Desta forma, estaremos a acautelar o amanhã dos nossos descendentes, a honrar os pergaminhos de nação mais velha da Europa e a fazer jus aos nossos antepassados.




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