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O sorriso dum Papa que vem do fim do Mundo

1 – Após dois estrangeiros, este Papa devia ser, e é, italiano). Para bem mostrar que também é universal, a Igreja romana escolheu os 2 últimos Papas fora de Itália. Desde a eleição de J. Paulo II (1978) que o chefe supremo do Catolicismo não era um italiano. Eu cresci ainda durante o pontificado de Paulo VI (até 1963, cardeal Montini). Mas para os mais jovens será agora uma experiência nova. O Catolicismo não deve ter complexos do seu “bilhete de identidade”. Senão, no mundo digital, primário e inculto que é o de hoje, a vetusta Itália, laboriosa, militar e artística, não passaria dum berço de engravatados mafiosos.

Eduardo Tomás Alves
26 Mar 2013

A este propósito, também me congratulei com a eleição do tão culto mas tão fleumático Bento XVI. A qual serviu para que a fabulosa Alemanha não continuasse para muitos a ser apenas a “pátria dos nazistas”, que ainda é no folclore popular do séc. XXI. O futuro Papa Francisco, no mínimo igualará a humanidade de J. Paulo II, até porque sempre se verá em fato próprio. Ao contrário do voluntarioso cracoviano, Papa missionário e itinerante para quem, como dizia o verso do revolucionário cantor portuense, “a sêde de uma espera (comunista) só se estanca na corrente”. Ao fazer esta lista não quero deixar de lembrar o sorriso bondoso de João Paulo I (Albino Luciani) cuja morte prematura em 1978 ainda hoje é um mistério.
2 –  Um “Papa do fim do Mundo”). Ao escolher um Papa ao mesmo tempo argentino e italo-descendente (de Turim), o conclave revelou toda a sua sabedoria diplomática. Ficaram pois também saciadas as ambições de alguns, de ver um natural de fora da Europa sentado no trono de S. Pedro. Não duvido que o cardeal  Bergoglio se considere também um verdadeiro argentino, lá da terra de Messi, Perón, Gardel e A. Yupanqui. Porém, quando se mostra da varanda do Vaticano e diz, cheio de humor, que os seus irmãos cardeais se lembraram desta vez de ir buscar um Papa “ao fim do Mundo”, constata-se felizmente que Francisco tem, como deve (graças a Deus!) uma visão até certo ponto euro-cêntrica do Mundo. É aliás curiosa a coincidência de o ilustre Papa Francisco se ter referido à Argentina como sendo no “fim do Mundo”. Foi a mesma expressão que eu próprio usei para localizar as Malvinas, aqui no DM, quando em 26.2.2013 escrevi o artigo “Irá agora Isabel II abdicar?”, lembrando que Marg. Thatcher não defendeu a rica e vasta colónia africana da Rodésia. Mas mandou uma frota “ao fim do Mundo” para defender meia-dúzia de ingleses, ovelhas e pinguins, precisamente da ambição argentina, só porque neste país vigorava então um regime militar.
3 – Ombros largos e um sorriso “conformado”). Anunciada com emoção pelo velho cardeal francês Tauran, a entrada em cena de Jorge Mário Bergoglio foi espectacular. Aparece à varanda, de branco, com o ar mais natural deste mundo e um sorriso familiar mas contido. Como se estivesse em casa. E falando em italiano, sem sotaque. E a certa altura, antes de abençoar, pede a oração silenciosa dos 150 mil presentes. E consegue-o, naquela “Babel”. Misteriosa era contudo a sua expressão. Que parecia revelar: “estou contente mas estou aqui para o que der e vier”. E despede-
-se com um informal “boa noite e bom jantar”.
4 – Porquê “Francisco”?). Curioso também que se tenha dirigido em 1.º lugar aos naturais de Itália, talvez porque perceba que é na Europa que o esforço recristianizador é hoje mais premente. E que, por isso seria pouco sábio terem escolhido um Papa de outras latitudes e raças, que ajudasse ainda afastar mais os europeus da religião católica. A escolha do nome Francisco, disse que era em homenagem a
S. Francisco de Assis. E a pobreza tem sido uma das preocupações de J. Bergoglio. Porém, como Francisco quer dizer “francês”, pode haver uma alusão críptica à dramática situação nacional da actual França, ameaçada pela imigração islâmica. É curioso também, que o santo de Assis foi baptizado “João”, mas o pai mudou-lhe o nome por estar em França quando ele nasceu. Em 2000 anos de Cristianismo é também a 1.ª vez que o nome do Papa é de origem germânica.
5 – Homenagem aos Jesuítas). Francisco é o 1.º  jesuíta que chega a Papa. Esta Ordem distinguiu-se nos sécs. XVII e XVIII por salvar os índios da escravatura dos cristãos-
-novos de S. Paulo (os bandeirantes). Criou dezenas de reservas (“reducciones”) no norte da Argentina, Paraguai, Bolívia e Brasil. O seu projecto colidiu com as ambições maçónicas para o continente e levou à extinção da Ordem.
6 – O 1.º “milagre”…). Eu sou do River Plate. Mas Jorge Bergoglio é adepto do S. Lorenzo de Almagro, clube azul-rubro que visitou o Porto (por 1950) e de que a minha Mãe e o meu avô de Ovar me contaram histórias de infância. O certo é que, no dia (13) em que foi eleito, o mesmo Porto foi eliminado pelo Málaga. É novamente
“S. Jorge a vencer o dragão”?




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