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Uma óbvia falta de produtividade

Quando se diz que Portugal é um país de brandos costumes, deveria acrescentar-se que também é de branda produtividade, não só no plano laboral, como também no aspecto político. A prová-lo, estão as estatísticas europeias que nos baixam, no “ranking”, para os três últimos lugares da CEE. Pelo que nos basta olhar para o barómetro da produtividade, nos tribunais, para avaliarmos os restantes sectores públicos, o que constitui um entrave para a verdadeira afirmação da nossa democracia e da nossa independência económica.

Narciso Mendes
25 Mar 2013

Aliás, “pelo andar da carruagem”, bem nos poderemos preparar para assumirmos essa fatalidade, fruto de políticas, erradas, de incentivo á inércia e ao comodismo, levadas a cabo pelos políticos que nos têm governado. Pois foi, de facto, uma moda, muito em voga, a do incentivo ao ócio e à preguiça, num tempo em que ainda abundava o emprego
Há quem diga, que a nossa forma de estar na vida se prende com o nostálgico e dolente fado que, segundo se diz, não poderá ser cantado de outra forma. Porém, quando o português emigra transforma–se num trabalhador nato e produtivo. No entanto, muita culpa da situação em que nos encontramos se deve aos políticos, por não saberem ter estimulado o trabalho produtivo, limitando-se apenas a creditar em conta os vencimentos auferidos. E por terem passado a ideia, a este nobre povo, de que ao nos integrarmos no grupo dos países ricos da Europa, colheríamos dividendos inesgotáveis e sem esforço.
Porém, a realidade mostrou-se diferente quando, ao sermos atingidos pela crise, nos vimos confrontados com problemas, de vária ordem, que agora nos levam a ter de enfrentar uma monstruosa dívida, que dificilmente pagaremos, por termos desperdiçado os meios de produção que nos fariam crescer economicamente, os quais com os desperdícios canalizados para a esse fim, teriam garantido o aumento do PIB e diminuído o défice.
Tem tido, agora, este Governo a tarefa de negociar um memorando de entendimento, com a troika, que nos tem imposto bastantes medidas de austeridade, contra as quais as pessoas se vão revoltando, dado o empobrecimento em curso, o que tem gerado ondas de uma inusitada forma de contestação por todo o país. Passos
Coelho tem ainda de tentar gerir os ataques da oposição, a quem compete apresentar o contraditório, em termos de soluções políticas. Assim, o primeiro ministro, deixa o caminho aberto para as criticas de toda a esquerda, uma vez goradas as expectativas em torno das metas não atingidas.
Uma oposição que manda a troika, a dívida e as tranches “bugiar,” numa atitude que nos faz pensar ter outros trunfos para debelar a crise e que leva o cidadão comum a interrogar-se sobre que efeitos produziriam estas individualidades no estado da Nação, se a ela presidissem? Embora saibam, lá no fundo, que não possuem poções mágicas, a não ser verborreia e demagogia, a julgar pela troca de mensagens para se coligarem nas autárquicas, demonstrando apenas interesse em derrubar o executivo, pelo que Seguro logo se demarcou por não entender “qual a pressa?”
Para colmatar, esta “produtividade à portuguesa”, ainda surge a figura do Presidente da República, com “improdutividade verbal”, a dizermos que muito produz, em dez horas de trabalho, mas demonstrando que pouco faz, nada tendo a acrescentar ao que pretende dizer, a não ser demonstrar as dúvidas – que antes não tinha – para produzir as suas homologações.
Ora, já muita água passou por debaixo das pontes: «morreu Hugo Chaves; tivemos, durante vários dias, a sétima avaliação da troika; assistimos à resignação de S.S. Bento XVI; houve um conclave a eleger o novo Sumo Pontífice, (com serenidade, sem pressões sob o signo do Espírito Santo), pelo que já temos um novo Papa, (Francisco)». Tudo isto, sem que se vislumbre qualquer “fumo negro” ou “branco” do Tribunal Constitucional sobre os três artigos, em análise, do Orçamento Geral do Estado, o que demonstra bem o estado da produtividade nacional.   




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