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A boa política e a má política

Como em moeda, há boa política e má política. Precisamos de uma oposição de boa política porque necessitamos de ter uma alternância. O PS é o partido dessa alternância, assim tem sido sempre nesta democracia e, por isso, tem responsabilidades acrescidas em relação aos outros partidos com assento na Assembleia da República. Também estes são oposição mas são a pequena água num copo grande. O secretário-geral do PS tem-nos maçado com um discurso retórico, falando de desemprego, emigração de jovens, perseguição ao estado social, etc. etc, mas que, embora constituindo uma verdade ineludível, não deixa de ser o discurso de mesa de café.

Paulo Fafe
25 Mar 2013

Não diz nem aponta uma única solução, um caminho que seja vetorial, algo que seja concreto e que chegue como uma esperança de pão  ao entendimento da população. Falar, dizer, discursar, apontar os erros do Governo atual,  é politica, mas má política. As palavras já não chegam. A política feita apenas com palavras e de palavras é má política, é vazio sem eco nem possibilidades de se repercutir. Assim não dá, e estamos todos em sofrimento porque a democracia portuguesa precisa de uma oposição diferente que traga uma esperança sólida e exequível que dê a certeza de que vai ser melhor do que a outra. Não podem nem devem transformarem-se em meros treinadores de bancada. Não conquistarão nada dizendo mal, ganharão nas urnas segundo um programa concreto. Nada de sonhos ou megalomanias. Sem discursos, sem demagogias, mas com verdade, o PS tornar-se-á credível e respeitado. Se não chegarem ao âmago das pessoas, todos os discursos serão balofos. Espero que entendam daqui para a frente. Precisamos de vós já que o sacrifício heroico do PSD não será recompensado. Infelizmente estamos no inverno dessa esperança. Falta  ao PS oposição, essa a força que promove a busca de outra sociedade portuguesa e é pena que assim seja. Estamos a viver politicamente um desencontro social, provocador de confrontos, desassossegos e vazios. Ainda que a ideologia não tenha morrido, é pouca para preencher esses vazios. Não é com discursos ou agregando descontentamentos que se preenchem esses vazios que são imaginários muitas vezes.  Mas se a consciencialização se adivinha difícil e dolorosa  nenhum dos fautores políticos em presença conseguiu até hoje realizar o imaginário social português. Há, no meu fraco entender, uma linha realizável e a realizar nesta imanência: a dignidade humana. É um constructo e, por isso, qualquer coisa que diga o discurso deve  ser colada à realização concreta. Necessitamos, o povo anseia por este exercício para que o debate político se transforme num debate comum em prol das mudanças. Retóricos, sofistas, materialistas, idealistas, socráticos ou platonistas, que servem de matriz ao discurso político que hoje existe já no inconsciente social e não afloram ou afloram com dificuldade à assunção do consciente, é má política. As palavras devem servir a realidade e não camuflá-la em mimetismo como o camaleão.  Odeio as palavras que dizem bem do que está mal. Quantas vezes a côdea  tostada tem dentro farinha mal cozida! Se o PS não fizer a boa política, vamos a mais uma eleição de votos, vazia e vazios como cocos sem sumo. As promessas eleitorais, tão aplaudidas em comícios como vazias de verdade, transformar-se-ão em descrédito político, a democracia numa organização eleitoral e os cidadãos em sombras na caverna de Platão.




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