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“Os Enxovais da Mana”

Esta poderia ser uma bela história para ser contada aos meninos, à noite, antes de irem para a cama. Também poderia ser uma mensagem de esperança, um apelo à generosidade ou poderia ser, simplesmente, uma fantasia.Todavia, nestes tempos, ao que me consta, os petizes já não acreditam em histórias bonitas, os adultos não têm pachorra para estas lamechices, nem podem gastar o seu precioso tempo com temas como solidariedade, voluntariado, ajuda e empatia com os que sofrem. Estamos ainda mergulhados num individualismo apático, cheios de nada e acompanhados com nenhures, instalados a nossa própria solidão, fechados no nosso egoísmo e secos de afectos.

Maria Susana Mexia
24 Mar 2013

“Os Enxovais da Mana” não são nada disto, mas uma realidade praticada e vivida há longo tempo, com a ajuda de todos os manos. Então é assim:
A Margarida nasceu em 1956 em Lisboa, foi viver com os pais e os seus dez irmãos para o Estoril. Devido a um problema de saúde estudou com um professor particular, depois tirou o curso de lavandaria e, durante dez anos, trabalhou num lar de terceira idade, em Alcabideche.
Posteriormente aprendeu a coser à mão, a fazer crochet e a coser à máquina. No dia em que completou quarenta anos, teve como presente uma máquina de costura eléctrica.
Começou a fazer imensos trabalhos para ocupar os seus dias e, os irmãos entenderam por bem dar uma finalidade a toda a sua produção. Como a Margarida gosta muito de crianças, é muito sensível com os menos afortunados, os pobres e rejeitados pensaram fazer roupinha de bebé para os que se encontram neste caso.
Esta decisão deu origem a “Os Enxovais da Mana”:
Cada enxoval tem: 1 xaile, 2 lençóis de cama, 1 manta ou cobertor, 1 lençol de banho, casaquinho e botas, camisinha ou body, 1 baby-grow, 3 ou 4 fraldas, biberon, chucha, esponja, sabonete e, quando lhe oferecem, tem também um boneco de peluche. Os conjuntos são organizados por cores e embalados separadamente.
Em 18 anos entregou mais de 1400 enxovais a Instituições de caridade, mobilizou muita gente, arranjou uma grande equipa de ajudantes e amigas e deu muita alegria a todos.
Actualmente tem uma ocupação de voluntariado no Centro Paroquial do Estoril.
Como reconhecimento do seu trabalho tem recebido vários louvores de diversas Instituições e em 2006 foi condecorada pela Cruz Vermelha Portuguesa.
Penso que os factos falam por si e sinto-me dispensada de comentários ou elogios, mas deixo esta informação para que também saibamos que no mundo ainda há muitas pessoas boas que dedicam uma vida ao serviço dos outros, só que não são notícia, nem capa de revista e é pena pois o seu exemplo aquece a alma e conforta o coração.




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