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Diário do Minho é também lido por cegos

É provável que algumas pessoas, que atentem à leitura deste artigo, ignorem que o mesmo poderá estar a ser lido neste preciso instante num computador ou até num telemóvel por outros leitores. Designa-se por versão «online» do jornal e a maioria dos periódicos de média tiragem disponibilizam esta possibilidade aos seus subscritores. É o mesmo que receber uma carta via correio eletrónico (e-mail) em vez da mesma ser entregue pelo carteiro. Em ambas as situações há um meio que é dispensado: o papel.

Jorge Leitão
24 Mar 2013

Mas, mesmo que não esteja a dar qualquer novidade ao leitor, não sei se sabe que o formato digital permite que outros até aqui excluídos do acesso à leitura – pessoas cegas, com baixa visão ou até idosos – agora tenham a possibilidade de «ler» o jornal.     Coloquei aspas em ler, porque os caracteres podem ser ampliados, segundo as necessidades, mas o jornal também pode ser lido por um leitor de voz sintetizada instalado no PC ou no telemóvel, desde que este permita a essa função, podendo satisfazer uma franja significativa da população portuguesa (cerca de um milhão conforme os censos 2011).
Por isso é também para estes que redijo este artigo, pois com o avanço das novas tecnologias, são raras as pessoas neste segmento da sociedade, que não possuam um computador com voz instalada. Nuclearmente é assim, mas, alargadamente, estes meios também estão acessíveis a estudantes e profissionais portadores de alguma incapacidade visual. Pena é que Portugal esteja ainda distante de países como o Brasil, tanto a nível editorial, como no que concerne à oferta das bibliotecas públicas, onde é habitual a existência de um espólio satisfatório de audiolivros, livros digitalizados ou «e-books».
Em Portugal, os audiolivros ou e-books, destinam-se ao leitor comum e a sua edição é ainda considerada um artigo de luxo. Depois, à excepção da Biblioteca Nacional de Portugal (BNP), às bibliotecas Municipal e Almeida Garrett do Porto, às bibliotecas de Gaia, de Coimbra e de Viana do Castelo, que possuem um serviço de leitura especial local e externo (empréstimo), as restantes bibliotecas, limitam-se quanto muito, a disponibilizarem «scanners» para digitalização.
Mesmo assim  nas que dão apoio efetivo como as citadas, ou têm os livros em catálogo (que não ultrapassam algumas centenas de títulos) e neste caso a consulta ou empréstimo são rápidos, ou se tem que aguardar um ou dois anos para que um livro seja gravado em áudio pela dependência do voluntariado e das listas de espera, consequentes também da escassez de especialistas contratados, para além da necessidade da aquisição e envio do livro desejado. O processo de digitalização é habitualmente mais rápido, embora dependa dos mesmos fatores. Um protocolo com os Correios denominado «cecograma», franqueia a circulação dos meios áudio, uma prorrogativa extensível à SPA (Sociedade Portuguesa de Autores), que autoriza à reprodução e cópia dos livros que se insiram neste perfil.
Um outro recurso é a internet. Por exemplo, a Biblioteca Sonora Digital do Porto
Já permite a transferência e correspondente armazenamento de audiolivros no computador pessoal do utente.
Mas tudo teve início há milhares de anos atrás. Na ânsia de comunicar e reter a informação, na Pré-História o Homem comunicava através de desenhos feitos nas pedras.  Há 6000 anos na Suméria – atual Iraque – eram utilizados tijolos de argila cozida. O papiro, fabricado a partir de uma planta chamada Papyrus, surge no Egipto. Aos poucos o papiro é substituído pelo pergaminho, obtido a partir do tratamento de peles – princípios do século II da nossa era (Ásia Menor). A madeira (tabuinhas recobertas com gesso – Grécia) e os metais (placas – Roma) foram outros materiais usados na escrita que precedeu o papel – China (ano 100.). No entanto, só no século X foi conhecido no continente africano e introduzido na Península Ibérica pelos árabes. Em Portugal , os primeiros escritos em papel datam de 1288 e de 1334.   
Mas a invenção mais pregnante, já no limite da Idade Média, foi a impressão (século XIV), desenvolvida posteriormente por Gutemberg. Foi este facto que permitiu a emergência das editoras bibliográficas e dos jornais, até que chegamos à era digital com a invenção do CD-ROM e da internet, que permite as edições «online». Hoje, até os papiros do Egipto estão disponíveis «online».   




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