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O Padre Jorge Maria Salvaire e a Virgem de Lujan

No passado dia 15 deste mês, o Diário do Minho inseriu na secção Religião um Apontamento meu referente à eleição do Cardeal D. Jorge Mário Bergoglio, Cardeal de Buenos Aires, para sucessor do Papa-Emérito, Bento XVI. No fim desse Apontamento, fiz uma referência a Nossa Senhora de Lujan – Padroeira da Argentina, terra natal do Papa Francisco. Hoje queria abordar algo mais sobre a Virgem de Lujan. O Padre Jorge Maria Salvaire, pertenceu ao primeiro grupo de missionários lazaristas (Congregação de S. Vicente de Paulo) em Lujan, enviados em 1874 para evangelizar os indígenas nas suas terras.

Maria Fernanda Barroca
23 Mar 2013

No seu trabalho de evangelização foi atacado pelos aborígenes que o queriam matar. O religioso invoca Virgem Maria e promete-lhe que escreveria a sua história e aumentaria o seu Santuário.
Livre, o Padre Salvaire regressa a Lujan em 1875 e começa a escrever a história da Imagem milagrosa de Nossa Senhora de Lujan; pouco tempo depois começa a dar cumprimento à segunda parte da sua promessa. Em 1886 viaja pela Europa e leva materiais preciosos, reunidos com as esmolas dos
fiéis, para a construção da que veio a ser a grandiosa Basílica. Pouco tempo depois, em 25 de Maio de 1889 o Padre Salvaire é nomeado Capelão do Santuário de Nossa Senhora de Lujan.
Reuniu os constructores e bom número de colaboradores e começaram os trabalhos. O Padre Salvaire não ficou parado nem um momento.
Os planos da Basílica ficaram a cargo do arquitecto francés Ulrico Courtois, e o Padre Salvaire além da Historia de Nossa Senhora  de Lujan, do Manual do devoto de Nossa Senhora de Lujan, do Libro da Virgem, iniciou o Hospital de Nossa Senhora de Lujan e do Circulo de Operários Católicos. Esgotado pelo muito trabalho, sofreu, em meados de 1898 um forte ataque de corazón.
Foi o primeiro aviso do Senhor acerca da sua próxima partida. Morreu a 4 de Fevereiro de 1899.
Recordada uma figura tão ligada à devoção querida dos argentinos e não só, vou referir o que se relaciona com a Virgem de Lujan (muitos dizem que é uma lenda, mas eu chamo-lhe um milagre).
Em Maio de 1630, a imagem da Virgem de Lujan vinha para a Argentina a partir de São Paulo, Brasil.
 António Farias Saa, era um fazendeiro criado em Santiago do Estero e queria construir na sua terra uma capela para a Virgem. Este homem trazia do Brasil, duas imagens que representavam a Imaculada Conceição.
A caravana, parou junto do rio Lujan a 67 km de Buenos Aires. No outro dia, pensavam continuar a viagem pela estrada, mas a carroça transportando as imagens não se movia; eles tentaram de todas as maneiras possíveis fazer andar a carroça, mas foi inútil.
Os homens que conduziam a caravana retiraram uma imagem, mas a carroça não se moveu.
Resolveram, então, retirar a outra imagem, e a carroça passou normalmente. Nesse instante os homens perceberam que algo de milagroso estava a acontecer.
Perceberam, então que a Virgem não queria deixar o local e dirigiram-se para a casa mais próxima do caminho que levavam.
A família ao ver a imagem emocionou-se e colocaram-na em sua casa, com todo o carinho e dignidade. A notícia correu toda a região, e chegou a Buenos Aires.
Dom Rosendo mandou construir uma pequena capela, entre as gramíneas das pampas, e nesse local a imagem da Virgem permaneceu intacta de 1630 a 1674.
O local depressa se transformou num povoado, devido à afluência de devotos da Virgem. O local, recebeu o nome de Vila, que rapidamente se tornou uma pequena cidade a que chamaram Povo de Nossa Senhora de Lujan.
A devoção à Virgem foi crescendo ano após ano, e o número de milagres também cresceu e em 23 de Outubro de 1730, foi criada a freguesia de Lujan.
Foi então que o Padre Salvaire, em 1886, apresentou ao Papa Leão XIII, o pedido dos bispos e dos fiéis do Rio da Prata para a Coroação da Virgem, e o Papa abençoou a Coroação e institui Missa e dia para as festividades da Virgem – no Sábado anterior ao quarto Domingo depois da Páscoa. A Coroa-ção foi realizada em Maio de 1887.
Começaram as peregrinações, a primeira em Outubro de 1975, partindo, a pé, do Santuário de São Caetano. Porém, a cada 8 de Dezembro, e a cada primeiro sábado de Outubro, milhares de peregrinos marcham a pé em direcção à magnífica Basílica de Lujan, em Buenos Aires.




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