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Novo Papa, novos desafios

A eleição do novo Papa Francisco ocorre numa época particularmente relevante da História da Humanidade. À medida que o mundo se torna cada vez mais interdependente e globalizado, a Humanidade enfrenta, ao mesmo tempo, grandes oportunidades e grandes riscos. Neste contexto, a Humanidade espera das Igrejas cristãs e da Igreja Católica em particular que elas sejam faróis de esperança.

Daniel José Ribeiro de Faria
23 Mar 2013

Para haver uma renovação genuína da Igreja Católica é importante superar desde já um equívoco. Hoje, quando se fala de Igreja, é numa instituição gigantesca e nos seus hierarcas e sacerdotes que se pensa: papa, bispos, padres e diáconos. Temos de regressar às origens, quando Igreja significava a comunhão das Igrejas, entendidas como comunidades de cristãos congregados em nome de Jesus.
É interessante constatar que as últimas declarações do Papa Bento XVI e as primeiras declarações do Papa Francisco partilham a necessidade de valorizar a dimensão espiritual da Igreja Católica em detrimento da sua dimensão institucional.
No dia 14 de fevereiro, ainda papa, Joseph Ratzinger declarou o seguinte. “Nós somos a Igreja; a Igreja não é uma estrutura; nós, os próprios cristãos juntos, todos nós somos o Corpo vivo da Igreja. Naturalmente, isto é válido no sentido de que o ‘nós’, o verdadeiro ‘nós’ dos crentes, juntamente com o ‘Eu’ de Cristo, é a Igreja”.
Por sua vez, no dia 16 de março, o Papa Francisco anunciou no seu primeiro encontro com os representantes dos meios de comunicação social: “(A Igreja) apesar de ser indubitavelmente uma instituição também humana e histórica, com tudo o que isso implica, não é de natureza política, mas essencialmente espiritual: é o Povo de Deus, o Povo santo de Deus, que caminha rumo ao encontro com Jesus Cristo. (…) Cristo é o centro. Não o Sucessor de Pedro, mas Cristo. Cristo é o centro. Cristo é o ponto fundamental de referimento, o coração da Igreja. Sem Ele, Pedro e a Igreja não existiriam, nem teriam razão de ser”. Também defendeu “uma Igreja pobre e para os pobres”.
Atualmente, estamos perante uma oportunidade histórica de reformar a Igreja Católica. Não é preciso começar do zero. O Concílio Vaticano II foi um começo revolucionário, mas continua, em grande parte, por cumprir.
Importa alterar o modo da designação dos bispos, os lideres das Igrejas locais, na sua imensa diversidade geográfica e cultural. Eles devem ser eleitos por sínodos diocesanos constituídos por representantes dos clérigos e dos leigos, os quais devem ser eleitos democraticamente.
O bispo de Roma, isto é, o Papa, deveria ser eleito por um colégio constituído pelos representantes das conferências episcopais, das congregações religiosas e dos movimentos laicais, seguindo o princípio de o que diz respeito a todos, deve ser tratado por todos.
A Igreja deve assumir um compromisso cada vez mais sólido com a promoção da justiça social e da dignidade da pessoa humana.
Deve ser reconhecida a igualdade de direitos e responsabilidades de homens e mulheres na Igreja, bem como a valorização da sexualidade enquanto dimensão fundamental da condição humana.
Deve ser incentivado o diálogo ecuménico com as demais Igrejas cristãs, o que passa pelo reconhecimento mútuo dos ministérios e dos sacramentos.
Deve ser promovido o diálogo com as religiões não cristãs e os não crentes, para que todos os homens e mulheres de boa vontade possam trabalhar em conjunto em prol de um mundo mais livre, solidário e sustentável.




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