Fotografia:
E a culpa é da troika!

A sétima avaliação da troika aponta para mais cortes, mais recessão económica, mais desemprego e, obviamente, mais descontentamento. E este rosário de dificuldades vai agravar-se nos próximos anos indubitavelmente, a não ser que António José Seguro e o partido que o sustenta tomem conta das rédeas do poder. Não restam dúvidas quanto à sua capacidade de liderança e às suas ideias verdadeiramente inovadoras para pôr o país a funcionar em velocidade de cruzeiro rumo ao progresso, ao bem-estar e à felicidade. Não há dúvida que o PS tem um historial imaculado de competência, de rigor e de sucesso. O último grande feito foi conseguir um empréstimo de 78 mil milhões de euros vindos do FMI. Notável!

Armindo Oliveira
23 Mar 2013

Um país completamente esfolado, empobrecido, desmoralizado e sem investimento produtivo não tem presente e não terá, com certeza, futuro. As gerações vindouras já estão condenadas ao degredo da pobreza, da humilhação e, por certo, da emigração. Esta foi a herança deixada por uma classe política irresponsável e sem sentido de Estado. O eleitoralismo serôdio, a ganância desmesurada e a sede de poder provocaram esta vil tristeza. E o povo, num ritual de ilusões, de fantasias e de mentiras expressas nos votos, ia caminhando para o abismo alegremente.
Quando ouço o principal líder da oposição, António José Seguro, a debitar aquele discurso viscoso, vazio e puramente demagógico, fico com a sensação que já não existe vergonha neste triste país. Em vez de andar a fazer “sermões” idiotas, para consumo interno, contra a austeridade e contra os credores, proclamando crescimento económico e criação de emprego como se isso caísse do céu, deveria, em primeiro lugar, pedir perdão a este povo que se vê enrolado numa teia que lhe asfixiou todas as esperanças e lhe comprometeu o seu futuro e o futuro dos seus filhos e depois fazer uma longa quarentena para se limpar de todo o “verniz político” assimilado e consolidado desde os seus tempos de jotinha. As experiências governativas dos jotinhas têm sido um desastre.
Não é novidade para ninguém que os países só se afirmam, nos cenários internacionais, com seriedade, com verdade, com rigor e com exigência. Não é isto que está acontecer por cá. Apesar das restrições impostas pelo Memorandum de Entendimento, Portugal ainda não foi suficientemente apertado para ser conduzido a bom porto, porque os políticos estão mais interessados em negociar cortes e mais cortes aos contribuintes, do que atingir as amplas mordomias de um Estado gastador, socialmente injusto e positivamente incompetente. Se repararmos bem, na esfera do poder tudo continua na mesma. Deputados intocáveis; empresas municipais e empresas públicas com as mesmas rotinas; Fundações a viverem à custa de subsídios do Estado; financiamento aos Partidos sempre certo; contratação de boys para os serviços governativos. O poder político só teve coragem para mexer nas freguesias, que são os “sem-abrigo” da democracia e as que mais fazem serviço social de proximidade.
O problema português reside linear e fundamentalmente na forma como encaramos os dinheiros dos contribuintes e na forma como os esbanjamos. É fácil atribuir a uma Fundação 260 mil euros para pagar défices da gestão anterior; é fácil oferecer cerca de 250 mil euros a um clube de futebol da regional para supostamente subsidiar a formação; é fácil semear campos de relva sintética por tudo quanto é sítio. É fácil fazer elefantes brancos. É fácil gastar. É popular distribuir. Tudo é fácil, quando o dinheiro não é de “ninguém”.
A fatura destas facilidades já está a ser paga por todos e de maneira brutal. E depois a culpa é da troika! Só podia ser! Bem à maneira portuguesa.




Notícias relacionadas


Scroll Up