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Encontros

Para quem escreve e publica é normal ter encontros com amigos, conhecidos e falar-se duma ou doutra afirmação, dum ou outro desabafo que tiveram conhecimento. E assim se vão fazendo justificações, esclarecimentos e colhem-se, pois claro, opiniões. Desse modo, leitores me interpelam e alguns perguntam: mas afinal você (ou tu) é de esquerda ou de direita? Eu, porque sincero, sem respeitos humanos e senhor da barba que rapo, tranquilizo-os e naturalmente informo que nem sou dum lado nem do outro, nem tão-pouco do centro: afirmo-lhes que sou cristão e católico público.

Artur Soares
22 Mar 2013

E mais: acrescento que nunca apregoei, vendi ou precisei da democracia e muito menos de partidos; que valores mais altos aprendi a seguir desde pequenino e que concluí que democracia é coisa pouca para mim. Por isso mesmo sempre busquei mais e melhor: Deus, a família e as pessoas do meu país.
Afirmo, e assim vivo como cristão, procurando ser sério a pensar, competente dentro do possível em tudo que fizer e respeito absoluto pelos outros. O resto vem de Deus, vem do exemplo e testemunho dados por Cristo e conto com o Santo Espírito para caminhar firme entre este mundo baralhado. Democracia? Sim aceito-a, mas não uso.
Um cristão convicto, esclarecido e que se preocupa em “saber” o que Deus quer de si, já está muito além dos ideais terrenos.
Como é natural conheço as leis, usos e costumes do meu país e pertenço às pessoas do meu país. Desse modo, aplico o meu modus vivendi, segundo as orientações ensinadas pelo Deus de Jesus Cristo e, democracia, já está aquém dos meus objectivos.
Muito sofrem aqueles, para quem como coisa principal da vida é democracia ou política. Pois se a democracia é ter em conta a vontade da sociedade civil, da opinião pública, onde há que tomar decisões, escolhas contínuas e levar o povo com confiança a participar na vida e nas estruturas políticas que a democracia oferece, em Portugal significa sofrimento ou frustração.
Cristo ensinou como se deve viver em sociedade e em relação a Deus. E a Igreja, por Si constituí-da e pelo Espírito guiada, tem a doutrina ou a democracia mais eficaz para os povos: Evangelhos, Encíclicas e os ensinamentos oportunos e permanentes, oferecidos pelos seus líderes, escolhidos pelo Alto.
Ora os ideais dos homens, a política que quase sempre fabricam e impõem, é a política da guerrilha permanente, do ataque, da inveja, do madracismo, das utópicas reivindicações e do deixa tombar. Poucos pensam, poucos resolvem, enfim, são ideais que mais parecem locomotivas sem travões ou de travões permanentemente colados.
E “Deus nunca falha e só Deus basta”!
Perguntará alguém se (então) um cristão não pode participar na vida social do seu país! Pode e deve, tudo fazendo de molde que tenha em conta os valores cristãos, o que não é fácil neste mundo oco e nu.
A um amigo meu, chefe de secção, foi-lhe pedido um dia pelo seu sindicato que fizesse um relatório que abordasse normas internas da fábrica, horários coerentes, prémios de produção e sã convivência entre todo o pessoal. Passado um mês entregou ao sindicato o relatório e afirmaram-lhe: fantástico trabalho! O meu amigo sorriu, despediu-se e, o homem do sindicato interrompe-lhe a marcha e pergunta: mas diga-me: onde foi beber para fazer este relatório? O meu amigo disse-lhe que se tinha baseado no livro do Vaticano II e nalgumas Encíclicas.
Até hoje! O chefe de secção sindicalizado nunca mais viu o rosto do relatório; nunca nada do relatório se aplicou na empresa e quando se veio embora do trabalho os sindicaleiros nem boa viagem lhe desejaram. Tratava-se dum cristão, de um católico!
Como é evidente e aconselhável, os cristãos não querem ser distinguidos dos outros nem pelo território, língua ou situação social. O seu Ideal não é a descoberta do pensamento e da pesquisa de qualquer génio humano, nem aderem ou não devem aderir a correntes filosóficas que choquem, como fazem os outros. Os seguidores do Cristianismo, não os alunos, têm que dar exemplo duma vida social linda, isto é, paradoxal.
Bacon afirmou centenas de vezes que em democracia “o povo era o mar e os oradores o vento”. Os homens sérios, os políticos honestos, (não os estagiários da política), os defensores do trabalho e do progresso, podem dispensar a democracia, porque Ideais muitíssimo mais altos – como se vê – existem e orientam.
Encontros por coisas que se escrevem? Por que não? É saudável e construtivo.




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