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Diário de um Pároco de Aldeia

Há quem o diga a obra prima de George Bernanos, quiçá o “maior escritor católico do século XX.” É tido por “um dos livros obrigatórios para todos os católicos que querem fazer jus a esse nome.” Li a Edição Ulisseia de 1955, tradução e prefácio de João Gaspar Simões (JGS), motivado pelo Filme de Robert Bresson. Concordo com quem conjugando o livro e o Filme escreveu que “são raros os casos de um livro gerar um bom filme, em virtude da incompatibilidade dos meios. No caso do Diário de Um Pároco de aldeia, de 1951, a literatura exuberante de Bernanos tem seu par perfeito no cinema minimalista de Robert Bresson.”

Gonçalo dos Reis Torgal
22 Mar 2013

É o Diário de um Jovem Padre, pároco de Ambricourt (“uma Paróquia como, outra qualquer”), pequena aldeia (“devora-a o tédio”), onde não é querido pelos paroquianos, o que, e a doença, o leva a refugiar-se na escrita num como que duelo que, nos limites, é consigo mesmo. Discussão entre a fé e a razão; a esperança e o tédio (“que devora o mundo”); o optimismo e a realidade; o ontem e o hoje; o bem e o mal; a mentira e a verdade; a solidão e o conviver fraterno; a ignorância e a coquetterie eclesiástica ou o “zelo do bien pensant” (“sempre tive horror a padres letrados”); os ricos e os pobres numa profunda cosmovisão dialética, por vezes “cristã, mas não católica”, de conflito, numa “interpretação tão ao pé da letra dos evangelhos que o Diário poderia ir parar ao Índex e o autor condenado pela ortodoxia.” (JGS)
Dispenso-me de ir mais longe na análise da obra, que escolhi, por a cosmovisão do Jovem Pároco se aplicar perfeitamente ao Mundo em que vivemos e ao PORTUGAL que (NÃO) temos, inclusive no seio da Igreja.
Pois não anda a Igreja discutindo sobre o gesto de Bento XVI ao resignar? Não veio à baila Sua Santidade João Paulo II, Santo entre os SANTOS, não descendo da Cruz,  contrapondo, não o “pai afasta de mim este cálice”, mas a humilde consciência, quiçá por graça do Espírito Santo, da incapacidade de bem representar Cristo na Terra? Consciência que devia ser exemplo para tantos. Em Portugal para o venerando que Chefia o Estado e o desumano, por ignorância, teimosia ou presunção, 1.º Ministro.
Pois não se levantaram falsos ou duvidosos testemunhos unicamente por força da disputa do Patriarcado alfacinha, esquecendo a sabedoria do Povo: “A calúnia é como o carvão. Quando não queima suja”?
Pois não vivemos entre a mentira do Coelho Passos Pedro e a não verdade toda de Seguro (incapaz de se desmarcar dos Governos de Sócrates) pelo que nada nos garante que eleito (o Povo cairá outra vez e dar-lhe-á maioria?) não nos servirá mais do mesmo ou pior, para o que já basta assim?
Pois não ouvimos nós um Pai da Pátria (coisa que o Governo PSD/CDS não sabe o que é ou, pior, nega a todo o momento) – um tal de Carlos Peixoto, vergonha dos beirões – insultar os idosos que o Governo vilmente rouba, dizendo-os “peste grisalha”? Menor insulto o “escurinho” do Arménio Carlos e caiu o Carmo e a Trindade.
Pois aquela bonitinha Ministra, expressão viva da razão do Princípio de Peter, não promulgou a Lei das Rendas que agrava a já de si gravosa situação da desaparecida classe média e teceu na TV considerações que provam quanto anda afastada da verdade das coisas?
E o descaro que ignora ou menoriza, pelo malabarismo dos números, a Manifestação de 2 de Março, movimento nunca visto em quase todas as cidades do País. Da parte do Governo é a macacada do não querer ver, não querer ouvir, não querer falar. Da parte do venerando Chefe de Estado, preocupado em distinguir um corrupto de de um corrupto da, não há tempo para mais do que um  silêncio patético.
Com tais exemplos, a Democracia que temos, longe de ser o pior dos sistemas é, sem dúvida, o melhor para proporcionar uma ditadura legal (viu-se com Sócrates esbanjando o que tinha e não tinha sem ninguém lhe poder ir à mão; vê-se agora com CPP, intocável no amontoado de asneiras que legisla, mesmo se anti-constitucionais, independentemente de o TC assim as julgar ou não) – e um apático Chefe de Estado, de onde um governo tipo lasanha de carne de vaca, que afinal é de cavalo, quiçá dos burros, que abundam.




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