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Construções na areia

Em pleno século XXI, muitos edifícios desportivos, alguns deles públicos, mesmo os mais recentes ou requalificados, têm erros e lacunas muito graves, desde a conceção, à construção, à gestão e à manutenção. São inúmeras situações que dão corpo à insatisfação dos seus utilizadores, pois não cumprem a função para que foram destinados. Na maioria das vezes são criados para fins que não seja uma utilização desportiva multifacetada, regular e eficiente.

Carlos Dias
22 Mar 2013

Muitas construções de áreas desportivas são concretizadas, essencialmente em anos de eleições, mais para fomentar o interesse partidário do que para fazer face às reais necessidades da população.
O “consumidor” (praticantes e/ou espectadores) de desporto tem particularidades que são precisas conhecer. As condições exigidas nas regras das modalidades e as características espaciais são fundamentais para o desenvolvimento eficaz da tipologia, da finalidade, do projeto, da construção e da utilização dos espaços desportivos. Se a organização do recinto desportivo não for boa, se não dispõe de condições mínimas de segurança, se não tem conforto, se não possui um bom piso, se não tem balneários com lógica de construção e utilização, se a qualidade de construção é duvidosa, se possui barreiras arquitetónicas que limitam o acesso de todos, então o gasto não é rentável. A lista das si-tuações bizarras na construção dos espaços desportivos é enormíssima, caricata e, até, vergonhosa. Os erros surgem, certamente, por desconhecimento, muitas vezes por falta de profissionalismo ou até displicência. Contudo, como em quase tudo, o povo tem razão: “o barato sai caro”. 
Os técnicos e arquitetos que idealizam a tipologia das construções fazem, habitualmente, bons exercícios de estética, mas, de forma grave, cometem erros crassos e inadmissíveis na funcionalidade. Estes cometem erros porque, muitas vezes, optam por soluções desajustadas, persistindo em não consultar quem deviam. Em vez de recorrerem à colaboração dos técnicos, treinadores, funcionários que utilizam este tipo de espaços, limitam–se a ter umas ideias, tais como, de uma construção na areia se trata-se… Esquecem-se que o desporto exige espaços de qualidade, na sua conceção e na construção e, acima de tudo, na sua finalidade (treinar, jogar e assistir a espetáculos).
É comum que o sistema educativo e as autarquias promovam parcerias para dinamizar espaços desportivos, de forma a dar seguimento às necessidades da disciplina de Educação Física, das atividades do Desporto Escolar e, simultaneamente, ir ao encontro da comunidade. Este pressuposto desta parceria é correto, pois permite uma melhor gestão dos recursos materiais existentes. Esta conjugação de esforços fortalece o estabelecimento de parcerias e sinergias de forma a conseguir uma dinâmica local e o desenvolvimento de um processo de formação desportiva mais abrangente, o que manifesta uma política inteligente, muito mais num país como o nosso, com tão fracos recursos.
Quando o objetivo é ganhar a aposta de cativar os mais jovens para uma vida saudável, as propostas e as condições da atividade física/desportiva podem não oferecer luxo, mas têm de ser essencialmente apelativas, rigorosas, seguras e confortáveis.




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