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Jogo jogado versus jogo fal(h)ado

Numa fase em que os campeonatos se aproximam do final, o jogo jogado é substituído pelo falado e é (o)usado principalmente quando é necessário minimizar com palavras um jogo… falhado. É pois, nos meios de comunicação que se jogam cartadas importantes. Sabe-se que na generalidade dos “media” há duas cores dominantes, o encarnado a sul, e o azul a norte. É sobre estas duas cores, seus problemas e suas preocupações que todo o país desportivo tem de ouvir e assistir a debates antes mesmo (ou em vez) de se valorizarem ou destacarem atletas amadores que na sombra dos seus trabalhos mal remunerados ainda arranjam tempo e engenho para vencerem medalhas de ouro em campeonatos europeus que tanto deviam honrar e fazer vibrar um país.

Carlos Mangas
21 Mar 2013

Treinadores, dirigentes e comentadores (ditos) desportivos (ab)usam da comunicação social para fazerem prevalecer as suas opiniões, independentemente de as mesmas poderem contrariar o que eles próprios disseram há menos de um mês. No entanto, e felizmente, as redes sociais que têm inúmeros inconvenientes, também servem para as minorias terem direito à palavra e à indignação, e através de uma coisa tão simples como a partilha no Facebook ou nos Blogs, chegar a milhares de pessoas que não se reveem nos “media” nem nos clubes que eles valorizam e defendem.
Cingindo-me à classe dos treinadores, há quem, em oposição à competência demonstrada pela sua equipa no jogo jogado, de que eles são principais responsáveis, quando tenta entrar no jogo falado… derrapa e estraga a imagem de credibilidade que tanto lhe demorou a conquistar.
 O treinador do SLB é um dos casos em apreço, pois cada vez que faz uso da palavra, em entrevistas ou palestras, mostra que as suas qualidades se cingem ao terreno de jogo, fazendo com que as pessoas ao invés de lhe elogiarem os seus méritos na profissão, vejam e (des)valorizem o reverso da medalha. Outra personagem que subiu a custo e a pulso na hierarquia futebolística e na opinião generalizada dos adeptos e jornalistas, e que ainda há pouco tempo (pré-Málaga) via os media rendidos ao futebol do seu “Barcelona”, o treinador Vítor Pereira, apesar da melhoria evidente no discurso em relação ao ano transato, continua a pecar ao não assumir erros próprios e tentar sacudir a água do capote, como na recente eliminatória da Champions, quando vendo o que mais ninguém viu, decidiu queixar-se da arbitragem. Também Rui Vitória, a quem tiro o chapéu pelo meritório trabalho efetuado em Guimarães, remendando uma equipa com jovens que na 2.ª Liga, andam pelos fundos da tabela, quando chamado a falar para a imprensa, parece sentir-se incomodado por quem neste momento está muitos pontos acima, e não se coíbe de dizer esta barbaridade: “Em Portugal, o SLB só joga fora em três estádios, Dragão, Alvalade e Guimarães”. Aceito esta sua afirmação, se ele, a exemplo dos adeptos do clube que representa, considera que Braga é… Marrocos. Assim sendo, e seguindo o mesmo tipo de raciocínio, também eu posso afirmar que o SLB em Portugal só joga fora em três estádios: Dragão, Alvalade e AXA.
Concluo com um assunto envolvendo um futebolista que já admirava no jogo jogado e fiquei agora a admirar no jogo falado, que não… falhado. A propósito do “roubo” dos quase 10% dos depósitos bancários no Chipre, onde ele joga, quando questionado, Silas fez esta sibilina mas tão incisiva afirmação: “As pessoas aqui sentem-se roubadas, mas eu não sinto, porque em Portugal o governo nos tira mais do que aqui”. Sintomático, vindo de alguém que normalmente é considerado privilegiado pela profissão que exerce.




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