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As infinitas capacidades da natureza humana (II)

Nos tempos que passam, está muito generalizada a falta de determinação pessoal para formar um carácter que, por si mesmo e em circunstâncias razoáveis, leve a uma vivência feliz. As pessoas dão demasiada importância às coisas secundárias e efémeras, em detrimento das essenciais e perenes. Sobrevalorizam-se os momentos hedonistas e desprezam-se as potencialidades intrínsecas do homem que o podem tornar mais perfeccionista na sua ação.

Artur Gonçalves Fernandes
21 Mar 2013

Parece que as pessoas preferem viver em situações que acarretam sentimentos de incerteza, de insegurança e de medo constantes do que de esperança, de firmeza, de harmonia e de cooperação. Impera o ódio, o rancor, o egoísmo e a maledicência fácil, em vez da amizade, da simpatia, da compaixão, da solidariedade e da compreensão. A sociedade moderna respira, por todos os flancos, ondas de desonestidade, de corrupção, de favorecimentos escandalosos, de chantagem, de fraudes escancaradas e de toda uma plêiade de situações de abusos e usurpação dos mais elementares direitos humanos. Outrora, havia certas classes sociais cujo estatuto, formação e postura impoluta não permitiam tais comportamentos anti-éticos. Estão incluídas nelas, os docentes e os médicos. Os seus juramentos (explícitos ou implícitos) deontológicos eram sagrados e para cumprir com uma fidelidade inabalável, firme e perene. E agora? Onde mora a coerência? Ninguém imagina a gravidade das aberrações que grassam por algumas escolas, nomeadamente no ensino superior, bem como no seio de alguns centros hospitalares. É de fazer corar de vergonha. U Thant disse: “A natureza humana é geralmente responsabilizada por este deplorável estado de coisas, porque se parte do princípio que a natureza humana é uma força sem possibilidades de ser controlada e melhorada. Os homens deviam aspirar a ser donos do seu destino, e não vítimas da sua própria natureza. Se tentarmos, como na rea-lidade, fazemos, alterar e melhorar tudo o mais, porque nos não incluímos no grupo?” O homem contemporâneo tem de acordar e convencer-se que todos os nossos problemas têm as suas raízes na natureza humana. É aí que radicam toda a nossa atividade e toda a nossa postura, quer para o bem, quer para o mal, conforme as seguimos e aperfeiçoamos, ou as distorcemos e violentamos no dia a dia. É nesta linha de ideias que Albert Einstein afirma: “O problema real está nos corações e no espírito dos homens. Não é um problema de física mas sim de ética. É mais fácil modificar a natureza do plutónio que modificar a natureza do espírito mau dos seres humanos.” Em todos os sectores de desenvolvimento social damos muita importância ao aumento de perícia profissional, mas não amadurecemos em termos de decisão e ação acertadas. Deixando à solta o nosso eu íntimo, ele, então, prega-nos partidas com consequências gravíssimas ou catastróficas, tais como, as guerras, os roubos, os massacres, os genocídios e toda uma espécie de calamidades. Carl Sandburg afirma, num dos seus poemas, que há um lobo dentro dele, naturalmente apoiado no ditado já antigo que diz: “ O homem é o lobo do homem” (Plauto, Asinária).
E quando o homem, ser racional, se deixa irracionalizar, outros animais podem irromper do seu interior, assim descontrolado. Quem não ouviu rugir leões, quando uma pessoa tem acessos de ira? Quem não viu os passos inquietos da pantera chamada inveja? Quem não observou o rosnar do tigre do ciúme? Quem não escutou o choro solitário do chacal chamado criticismo gratuito, que despedaça, enquanto rosna, a reputação dos outros, pondo a nu os seus defeitos e fracassos? Quantas pessoas dão oportunidade a tantos impulsos selvagens, quando se deixam orientar pelas paixões desenfreadas, sem qualquer espécie de controlo! Quão diversos e paradoxais são os caracteres de homens para homens!




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