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Mil e uma razões para amamentar

O título que escolhi para encabeçar este texto é, naturalmente, exagerado se o interpretarmos à letra. Mil e uma razões para amamentar são, seguramente, razões a mais! Escolhi-o, no entanto, porque tem impacto e porque pretendo fazer ver ao leitor que o aleitamento materno exclusivo se apresenta como a melhor forma de alimentar os bebés nos primeiros meses de vida, com benefícios a curto e a longo prazo, quer para a mãe, quer para o filho. Não é por acaso que a Organização Mundial de Saúde recomenda o aleitamento materno exclusivo até aos seis meses. De facto, o estímulo às boas práticas alimentares das crianças constitui uma das intervenções mais efetivas, e quiçá mais económicas, na promoção da saúde infantil.

Luís Sousa
20 Mar 2013

Importa salientar que o leite materno, dado de forma exclusiva nos primeiros seis meses de vida, fornece, na maioria dos casos, a energia e os nutrientes necessários às crianças que dele se alimentam. O leite materno contém as gorduras, os açúcares, as proteínas, as vitaminas, a água e os sais minerais essenciais para suprir as necessidades do bebé no início da vida, sendo inclusivamente rico em outras substâncias que, para além de auxiliarem a digestão e a absorção de nutrientes, também fornecem às crianças a proteção contra algumas infeções. O leite materno contém ácidos gordos polinsaturados importantes para o desenvolvimento neurológico do bebé, lactose e outros açúcares que são importantes fontes de energia, proteínas na dose certa e de digestão fácil, vitaminas necessárias ao desenvolvimento do bebé, assim como ferro, zinco, entre outros minerais. Além disso, contém outras substâncias, como imunoglobulinas, lisozimas e glóbulos brancos que ajudam a proteger as crianças contra agentes patogénicos, como vírus, bactérias ou fungos.
Os factos supracitados constituem, por si só, razões mais do que suficientes para promover o aleitamento materno exclusivo das crianças nos primeiros meses de vida. No entanto, estão longe de ser os únicos argumentos a favor. O aleitamento materno providencia uma melhor saúde para o bebé e para a mãe, reforçando de sobremaneira o vínculo mãe-filho.
Para a criança, o aleitamento materno está associado a menos
doenças gastrointestinais e respiratórias, menos alergias e otites, melhor acuidade visual e melhor desenvolvimento cognitivo. Diminui o risco de desenvolver diabetes, infeções urinárias, síndrome da morte súbita infantil e doenças oncológicas. Vários estudos também referem que as crianças alimentadas com leite materno têm menos propensão a tornarem-se obesas e, nesta matéria, há um efeito de dose-resposta, ou seja, quanto mais tempo amamentarem, tanto melhor.
Para a mãe, amamentar um filho, para além de ser psicológica, afetiva e, até, economicamente compensador, permite-lhe obter diversos ganhos em saúde que merecem ser realçados. As vantagens começam logo no período pós-
-parto, pois as mulheres que amamentam os seus filhos têm um risco menor de hemorragia uterina. Tem crescido a evidência de que até existe um risco menor de cancro da mama e do ovário, de osteoporose e de diabetes. Além disso, as mulheres que amamentam sofrem uma diminuição mais rápida do tamanho do útero, contribuindo para uma mais célere recuperação da silhueta e do peso anterior à gravidez.
Em Portugal, segundo o relatório do Observatório do Aleitamento Materno que analisou dados recolhidos entre julho de 2010 e junho de 2011, à data da alta hospitalar, 85% das crianças são alimentadas com aleitamento materno exclusivo, valor que, aos 2-3 meses, cai para apenas 40,3%. Este abandono precoce do aleitamento materno exclusivo tem, naturalmente, consequências desfavoráveis, quer para a mãe, quer para a criança e, até mesmo, para o serviço nacional de saúde. Assim sendo, com este artigo, pretendo alertar os pais para a importância da amamentação, frisando que os profissionais de saúde estão disponíveis para orientar as mães face aos principais problemas da amamentação, esclarecer todas as dúvidas que possam surgir nesta matéria e dando o apoio necessário de forma a apoiar e incentivar o aleitamento materno.




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