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Braga, os jardins e os cães

Certos jardins da cidade são autênticas retretes para cães. Então, o do Largo João Penha, em pleno centro, é mesmo o mais sério candidato ao Guiness da mais universal e fecunda latrina canina. Ora, para além da grave ameaça para a saúde pública que estas retretes a céu aberto representam, elas são um execrável postal ilustrado que a cidade tem para oferecer a quem a visita. E se pensarmos que, em momentos de lazer e ócio, muitos bracarenses (mormente casalinhos de namorados) procuram a relva para repousar e até rebolar, o maior proveito que daqui podem retirar é um enorme cheirete e umas solas novas no calçado, já para nem falarmos nos presentes que, se não se acautelam, à roupa levam apensados.

Dinis Salgado
20 Mar 2013

Em tempos, não muito longínquos, a Câmara Municipal lançou uma vasta e séria campanha de sensibilização pública para a recolha dos dejetos dos lulus, sempre que à rua são levados, sobretudo com a finalidade única de se aliviarem dos intestinos. Inclusive, colocados foram, em pontos estratégicos da cidade, recipientes com saquetas  de plástico para a recolha dos almejados alívios.
Só que, não mais se repetiu a campanha, pouco ou nada se fiscalizou, os recipientes desapareceram e, como o povo tem memória curta e uma grande dose de preguiça no lombo, o resultado está à vista. Além do mais, isto é a prova provada de que as leis se fazem, mesmo em abundância, mas nunca, ou quase nunca, para serem cumpridas.
Depois, com a existência de uma polícia municipal, muito ativa mas para certas coisas, nem era difícil meter estes cidadãos prevaricadores na ordem, bem como os que soltam e passeiam, sem açaime e trela pelas ruas, os seus melhores amigos, muitos deles de raças perigosas. Já vi muitos cidadãos encolhidos de medo face à aproximação de cães sem esta indispensável proteção.
Pois bem, se ter cão é um direito, tratar deles como convém é um dever. Mesmo que isso passe pela recolha dos dejetos que larguem em passeios e jardins públicos. E se a Câmara Municipal o dever tem de apresentar uma cidade limpa, asseada e higiénica aos seus munícipes, igualmente o direito lhe assiste de exigir destes civismo e cidadania. Nem que para tal haja necessidade de recorrer à lei da cachaporra: fiscalizando e punindo.
E, até, para que não seja lícito perguntar:
– É bom viver em Braga?
E lógico responder:
– Só pr’alguns! Só pr’alguns!
Então, até de hoje a oito.




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