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Os idosos são pessoas!

Parece estranha a forma como este Governo lida com os reformados e pensionistas. Direi mais, preocupa concluir que grande parte da austeridade é obtida à custa daqueles que não tendo poder reivindicativo, são fáceis de abater. A qualidade de vida dos portugueses piora todos os dias e raramente um qualquer governante, tem uma palavra de simpatia para com os mais idosos. Parece que aqueles que trabalharam e lutaram no passado, possivelmente aqueles que se manifestaram também na década de 70, são hoje idosos incapazes de repetir acções de luta como no passado e a indignação que possam manifestar, não tira o sono ao Governo.

J. Carlos Queiroz
19 Mar 2013

Talvez por isso o próprio Estado Social, que seria garantia duma vida digna, se tornou objecto de limitações que retiram direitos a essas pessoas. Por incrível que pareça, não foi necessária uma alteração Constitucional para que políticas contrárias ao sistema aí consagrado, entrasse em vigor. Já quase não se fala em Constituição e mesmo quando alguém fala em possíveis inconstitucionalidades, logo surgem vozes que aconselham reflexão e muito cuidado porque, o memorando se tornou soberano e todas as políticas devem obedecer a esse documento e não outro. E se alguns insistem, a resposta logo surge, temos de considerar que outras políticas não são possíveis porque, o nosso endividamento e dependência externa, obrigam a respeitar as políticas aconselhadas, de forma a garantir salários e pensões. Aqui chegados nada mais nos resta, mas continuamos à espera das decisões do Tribunal Constitucional, sendo certo há quem diga, que daí não vem qualquer problema. Mas afinal que perderam os nossos idosos se a maioria já vivia muito mal? A resposta é fácil, perderam o pouco que tinham, na saúde, na qualidade de vida, na disponibilidade do pequeno rendimento que ia chegando para  o dia a dia e por vezes ainda para apoiar a família. Mas a partir desse rendimento já reduzido, foi o ataque a uma classe média com rendimentos inferiores a 1000 ou 1500 Euros, de tal forma que perderam direito a férias, a tratamentos ou mesmo a consultas. Pior perderam parte das reformas a troco de nada. Descontaram ou contribuíram para uma pensão que agora o Estado confisca, porque entende ser necessário. Será isto uma justificação, ou efectivamente o poder político deixou de ter de justificar as medidas que toma, mesmo quando elas afectam directamente o rendimento do pensionista! Os idosos são pessoas, devemos olhar para eles com respeito e carinho, porque a razão do nosso mal estar, não são eles. Por vezes parece haver algum azedume com estas pessoas que afinal viveram um período confuso e com muitas limitações, parece que as novas tecnologias, a informação, o conhecimento e evolução do país, serviram para estabelecer diferenças que alguns querem vincar. Os idosos não podem ser um problema, mas evidentemente também não devem ser agora a solução para o país. Que o país seja capaz de vencer as dificuldades, desenvolvendo políticas económicas capazes de relançar o país e garantir emprego. A Europa tem hoje um problema para resolver e seria oportuna a solidariedade entre países e povos. O que não pode acontecer é que as pessoas mais velhas, sejam um problema, um mal para o país. Eles e Elas são pessoas e como tal merecem todo o nosso respeito. Nenhuma política terá sucesso, porque nenhum país evolui, se os valores do passado não forem respeitados. Será que os políticos actuais ainda hoje e apesar da sua formação e cultura, não deviam ouvir os mais velhos? Quantas vezes a experiência não é meia solução para um problema! Parem de destruir o Estado Social e de atacar por essa via, aqueles que dele mais carecem.




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