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O voluntariado de Isabel Jonet

No dia da mulher tive oportunidade de ouvir Isabel Jonet, presidente do Banco Alimentar, falar no almoço organizado pelas “Mulheres do Século XXI”. O tema da sua informal palestra foi o “Voluntariado” e vale a pena transmitir algumas das ideias, muito simples, muito profundas e verdadeiras, acessíveis a todas as pessoas, homens e mulheres, que querem ser úteis. Todos fazemos parte dos outros. Primeira ideia que traz como consequência a obrigação de fazer trabalho voluntário, ajudar quem está perto porque me apetece: faço-o porque é a minha vontade.

Isabel Vasco Costa
19 Mar 2013

Trabalho voluntário não é apenas trabalho não remunerado. É certo que os voluntários não se cobram pelos serviços prestados, mas não é esse o facto que os caracteriza. O voluntariado  na família, diz Isabel, porque o voluntariado é um exercício de cidadania responsável e a primeira célula da sociedade é a família. O voluntariado é essencialmente um modo de tornar os outros felizes com a minha ajuda. É, deve ser, o modo de vida de cada eu, de cada pessoa. Este peculiar modo de vida deve estar presente em qualquer actividade humana: na rua ou em casa, no trabalho ou no descanso, na profissão ou nos “hobbies”… É voluntário aquele que põe vontade naquilo que faz e isso supõe, antes de mais, possuir um coração generoso o que leva a uma preparação ou formação exigente, dentro das possibilidades e aptidões de cada pessoa, seguida de acção generosa caracterizada pela pontualidade, boa vontade e boa disposição (sorriso, capacidade para ouvir e compreender, etc.)
É na terra que se ganha o céu. Embora não seja remunerado, o trabalho voluntário é muito gratificante, de tal modo que a Drª Jonet se atreve a afirmar a ideia escrita a itálico no início deste parágrafo. Um novo brilho num olhar, um sorriso de felicidade ou alivio, o beijo de uma criança, o abraço de um idoso, a colaboração “cúmplice” na execução de uma obra de misericórdia… são gratificações sem preço, pelo alto valor intrínseco.
Voluntariado para dentro. Habitualmente, as pessoas que são objecto do nosso voluntariado estão fora do nosso meio familiar ou profissional. Porém, na actualidade, os desempregados, os que não têm capacidade de pagar dívidas, os que se viram compelidos a procurar trabalho no estrangeiro fazem parte no número de pes-
soas mais próximas de nós. Assim sendo, o voluntariado faz-se para dentro, na medida em que a ajuda mútua aumenta dentro, numa intimidade cada vez mais íntima, atrevo-me a afirmar, entre amigos e no interior de cada pessoa sempre que se esforça por despertar novas energias para superar desânimos e frustrações.
Voluntariado é cidadania. Cidadão é o que habita na cidade, é aquele que não vive isolado e, portanto deve comunicar com o vizinho, colaborar no bem comum, contribuir para superar as necessidades de quantos partilham o mesmo solo. O voluntariado não olha à posição social, à fé, à etnia ou à cultura de quem o abraça. Baseia-se no impulso de servir, num anseio que parte do coração de cada pessoa que vive ao lado de outra pessoa, de outro cidadão.
No voluntariado não há lugar para ressentimentos. O tempo é pouco para servir e a necessidade de gerir o tempo nessa direcção, do serviço, não permite ciúmes, ofensas, preconceitos, calúnias… Há compreensão pelas fraquezas e erros, próprios ou alheios, mas o voluntariado vai em frente, afastando memórias tristes que, ao azedar relações pessoais, poderiam travar o andamento do voluntariado.
Assim, o voluntariado de Isabel Jonet continua a ser a sua vontade. É contagiante.




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