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Europeístas “d’algibeira”

A execução de um “memorando” que nos prometia resultados satisfatórios, após cortes drásticos na vida das pessoas, afinal não surtiu qualquer efeito no crescimento económico e no emprego, o que nos vem colocando às portas da angústia e do desespero. O que quer dizer que o messianismo do venturoso europeísmo abastado, tão apregoado, se vai esfumando no seio dos portugueses, observado o empobrecimento que graça pelo país.

Narciso Mendes
18 Mar 2013

É que as palavras dos políticos de Bruxelas, se vão hipotecando à medida que se vai cavando o fosso entre ricos e pobres pelo que estes, sem a perspectiva de trabalho no horizonte, acabam por sentir o logro em que caíram, ao perderem o seu rendimento. Sobretudo, quando aqueles que presidem aos destinos das instituições europeias, por onde mais nos parece não ter passado a crise, se esquecem de fazer jus ao ideário que esteve presente na génese da C.E.E: «a Europa dos cidadãos».
Ora, foi graças a uma falta de visão estratégica e de coordenação alargada aos seus membros que, ao não se preocuparem com o ajustamento das pequenas economias, como a portuguesa, «com a adopção da moeda única» e sem medidas para aguentar a globalização, bem como a invasão da produção dos países emergentes a entrar no país (como faca em manteiga), o epílogo da derrocada industrial na Europa começou. Por isso, hoje Portugal mais se assemelha a um náufrago que, em alto mar, esbraceja agarrando-se ao que vai tendo à mão para tentar chegar às margens da estabilidade financeira.
Perante este cenário, de verdadeira encruzilhada nacional, legítimo se torna perguntarmos sobre o que é feito dos nossos grandes europeístas convictos? Que soluções reais nos apontam, quando nos prometiam que no oásis da Europa, tería-mos o futuro garantido? Simplesmente observam. E vão dando apoio ao “cançonetismo”, em voga, de «o povo é quem mais ordena». Exactamente os mesmos que excluíram esse mesmo povo, «em democracia», dos referendos sobre a nossa inclusão na U.E., do fim do escudo e dos tratados europeus.
Foram esses profetas, “da falsa prosperidade”, que encetaram o processo mágico de podermos viver numa «República de direitos sem deveres» e da utópica visão «de se poder viver sem trabalhar», cultivando o abandono das terras, da indústria e do mar. Os que permitiram que os partidos fossem verdadeiras “agências de emprego” e que as sementes do patriotismo e da competência fossem capturados pelo joio. Tendo hipotecado o nosso futuro, para gáudio da sua própria vaidade.
Tanto os políticos que têm presidido aos destinos europeus, como os que nos vão governando, (estes a discutir o salário mínimo) ou a oposição (a ver se consegue uns trocos da C.E.E. para pagar os subsídios de desemprego), andam todos distraídos, sem repararem nos sinais que nos chegam dos países em crescimento, como a China, que descobriram nos produtos europeus a qualidade, tecnologia e inovação. Senão veja-se o caso dos automóveis que eles preferem. Economias essas «que nos poderiam ter permitido ver a crise passar ao lado», se os nossos europeístas “d’algibeira” se tivessem disposto, não a apoiar o combate aos preços, mas o incentivo à qualidade. Exemplo disso, são os nossos produtores de vinho, de azeite e de cortiça e outros que, acrescentando know how aos seus produtos, sentem ânsia nesses povos em adquirir o que é português. O que só demonstra que promoveram, como deviam, a nossa excelente mão-de-obra impondo-a ao mundo e oferecendo a riqueza da qualidade depositada naquilo que fazemos.
Enquanto andarmos entretidos com “fait-divers” e não nos dedicarmos a agir de acordo com o que se passa à nossa volta, desprezando tais oportunidades, deixaremos de alavancar a nossa economia desprezando, analogamente, as potencialidades que Portugal tem para oferecer em beleza, paisagens, monumentalidade, gastronomia, clima e povo, com uma oferta turística arrojada, empenhada, em moldes modernos e eficientes, promovendo-a.




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