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“A Igreja”, instituição divina e humana…

Temos vindo a presenciar e viver tempos históricos cujos acontecimentos nos maravilham e/ou surpreendem:Assistimos à renúncia e saída do Papa Bento XVI que, com uma simplicidade admirável, se diz substituído pelo “peregrino”, obediente ao próximo Pontífice e recluso do mundo até ao fim dos seus dias!… Desde o dia 28 de fevereiro é declarada na Cidade do Vaticano a “Sede Vacante”. Reúnem-se em Roma os 115 cardeais que, obedecendo com docilidade ao Espírito Santo, elegerão o novo Pontífice, o Papa que sucede a Bento XVI. Foi anunciada a data do início do Conclave para o dia 12 de março.

Maria Helena H. Marques
17 Mar 2013

A Igreja, que é humana e divina, precisa de ter um chefe visível. Tem a sua cabeça divina, invisível, o próprio Jesus Cristo, e na terra o seu chefe visível, o Papa. Cristo assim o quis. Diz o catecismo: “Somente a Simão, a quem deu o nome de Pedro, o Senhor o constituiu como a pedra da sua Igreja. Entregou-lhe as suas chaves, instituiu – o pastor de todo o rebanho” (n.º 881).
“E eu te declaro: Tu és Pedro, e sobre esta pedra edificarei a Minha Igreja; as portas do inferno não prevalecerão contra ela. Eu te darei as chaves do Reino dos Céus: tudo o que ligares na terra será ligado nos Céus, e tudo o que desligares na terra será desligado nos Céus”(Mt 16, 18 – 19).
Por tudo isto, o Código de Direito Canónico da Igreja, estabelece: “O Bispo da Igreja de Roma, no qual perdura o múnus concedido pelo Senhor singularmente a Pedro, primeiro dos Apóstolos, para ser transmitido aos seus sucessores, é a Cabeça do Colégio dos Bispos, Vigário de Cristo e aqui na terra, Pastor da Igreja Universal; ele, pois, em virtude do seu múnus, tem na terra o poder ordinário supremo, pleno, imediato e universal, que pode sempre exercer livremente” C D C, Cân. 331):
Mas apesar de todas estas diretrizes claras e milenares, continuam a ser muitos os que aturdidos e desorientados, ainda questionam: Mas, então o que é a Igreja? Onde está?
Cristãos que dizem não terem resposta clara a estas perguntas e chegam a pensar que os ensinamentos formulados pelo Magistério através dos séculos – e que os bons Catecismos propunham com precisão e simplicidade – foram ultrapassados e terão de ser substituídos por outros novos…Enganam-se rotundamente!
A Igreja não é o que muitos pretendem que seja, adaptável aos tempos modernos no que lhe é essencial; suscetível de modificações de acordo com as circunstâncias
atuais…Não!
A Igreja, hoje, século XXI, é a mesma que Cristo fundou, e não pode ser outra.
“Os apóstolos e os seus sucessores são vigários de Deus para o regime da Igreja, fundamentada na fé e nos Sacramentos da Fé. E assim como não lhes é lícito estabelecer outra igreja, não podem também transmitir outra nem instituir outros sacramentos, porque pelos Sacramentos que jorraram do peito de Cristo pendente da Cruz é que foi construída a Igreja” (S. Tomás, S. Th III, 64…).
A Igreja deve ser reconhecida por aquelas quatro notas indicadas na confissão de fé de um dos primeiros Concílios e que nós rezamos no Credo da Missa: Uma Única Igreja, Santa, Católica (universal) e Apostólica. Estas são as propriedades essenciais da Igreja, que derivam da sua natureza, tal como Cristo a quis. E, por serem essenciais, são também notas, sinais que a distinguem de qualquer outro tipo de reunião humana, embora nelas se ouça pronunciar o nome de Cristo.
Iniciado o Conclave em 12 de março, fomos esperando em serena vigília de oração, que brevemente um novo Papa fosse escolhido…
Na Missa celebrada“Pró Eligendo Romano Pontífice” o Cardeal Angelo Sodano, pediu a Deus que conceda um “Bom Pastor” à Igreja, que “abrace esta nobre missão com um coração generoso”, sublinhando que a missão da caridade “é própria da Igreja, e de modo particular da Igreja de Roma”.
Sodano agradeceu a Deus “de forma particular pelo brilhante Pontificado que nos concedeu com a vida e as obras do 265.º sucessor de Pedro, o amado e venerado Pontífice Bento XVI, a quem neste momento renovamos toda a nossa gratidão”.
Estas palavras desencadearam um emotivo aplauso, em homenagem ao agora Bispo emérito de Roma…
O Cardeal implorou também ao Senhor que “através da solicitude pastoral dos 115 cardeais, Ele queira em breve conceder outro “Bom Pastor” de coração muito generoso à sua Igreja.
Prece ouvida e atendida sem demora, pois às 18h06 saía fumo branco da chaminé da Capela Sistina seguido do “Habemus Papam”! O anúncio fez estalar estrondosas manifestações de alegria da multidão que enchia a Praça de S. Pedro. Decorridos alguns minutos surge na varanda a singela e amável figura do Papa que, sorrindo, disse:”Irmãos e irmãs, boa noite! Vocês sabem que o dever do Conclave é dar um bispo a Roma. Parece que os meus irmãos car-
deais foram buscá-lo ao fim do mundo… mas aqui estamos”.
As primeiras palavras do Papa Francisco dirigidas ao mundo através dos fiéis católicos de Roma, foram para pedir que rezemos a Deus por ele, agora que inicia o seu Ministério Petrino!




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