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Guadalupe Ortiz de Landázuri e a santidade no quotidiano (2)

De certo modo este texto é uma continuação do anterior. No primeiro fiz referência ao Dia Internacional da Mulher, que tinha ocorrido no dia 8, e abordei a figura de Guadalupe Ortiz de Landázuri como exemplo de uma Mulher dos nossos dias (1916-1975). Neste texto vou tentar mostrar uma faceta da sua vida – a mais importante – a de viver a fundo a mensagem que São Josemaria Escrivá tinha recebido a 2 de Outubro de 1928, fundando o Opus Dei. Guadalupe conheceu São Josemaria a 25 de Janeiro de 1944 e depois de ouvir da boca do Fundador, em que consistia a mensagem que Deus lhe confiara – servir a Deus no meio do mundo e ter feito um Retiro Espiritual – decide-se e pede a admissão ao Opus Dei, a 19 de Março.

Maria Fernanda Barroca
16 Mar 2013

O Fundador logo viu a sua têmpera e nela se apoiou. O então Padre Josemaria Escrivá, queria expandir a Obra, que «viu» ser universal. Tinha enviado ao México Pedro Casciaro que se tinha ordenado em 1946, e numa reunião num dos Centros femininos, olhando para Guadalupe disse-lhe: Já que te chamas Guadalupe, vais começar o trabalho no México (lembro que Nossa Senhora de Guadalupe é Padroeira do México).
Naquela altura, 1950, Espanha não tinha relações diplomáticas com o México e os assuntos burocráticos passavam pela embaixada de Portugal.
Em 1952, Guadalupe, mercê de uma picadela de um insecto cai gravemente doente e pouco depois, em 1956 o seu coração, tão grande para amar a Deus, começa a dar sinais preocupantes, que a levam a deslocar-se a Madrid para ser operada a uma estenose mitral. Mas isso e uma nova insuficiência cardíaca no fim desse ano, não fazem diminuir a sua actividade ao serviço dos outros, quando quase ao mesmo tempo começa a dar aulas de Física no Instituto Ramiro de Maeztu e aulas de Física, Química e Matemática na Escuela Feminina de
Maestria Industrial.
Nessa altura o Padre Josemaria Escrivá via a necessidade de animar as mulheres que assim o desejassem, de conhecimentos, não só literários, mas também científicos. Assim, Guadalupe em 1965 defende tese em Química e obtém no seu doutoramento um Sobresaliente cum laude.
Ela compreendeu que pelo facto de ser mulher e como um dos carismas do Opus Dei, é a santificação do trabalho, tem de ser feito com toda a perfeição possível, quer seja a lavar pratos, a conduzir um autocarro, cuidar de uma quinta, ou a doutorar-se – tinha pois de ser Sobresaliente cum laude, se bem que ela, procurava o Sobresaliente cum laude de Deus, a quem tinha confiado a sua vida, mais que o dos homens. Os seus alunos e colegas sublinham a excelência das aulas que ela dava, a atenção que dedicava a cada aluno e a visão cristã, mas respeitando a liberdade de cada um, com que ela exercia a docência.
A vida de Guadalupe é um espelho do que ensinava São Josemaria: “O convite à santidade requer de cada um o cuidado da vida interior, o exercício diário das virtudes cristãs, não de qualquer maneira, nem de modo fora do comum, nem sequer de modo excelente: temos de nos esforçar até ao heroísmo, no sentido mais rigoroso e firme da expressão”.
Em face da maneira heróica como viveu a sua vocação, quer na saúde quer na doença. Um só facto mostra como viveu a doença. Um dia Guadalupe apareceu com um bonito lenço ao pescoço e como ela não era muito dada a esses detalhes, esclareceu: Um ano um dos propósitos do meu Retiro anual, foi cuidar mais o arranjo pes-
soal. Mas no Retiro do ano seguinte tive que fazer o mesmo propósito. Agora começou e durante vários dias usou o lenço com muita elegância. Mas um dia uma colega entrou no quarto e viu Guadalupe com uma gaze na mão e mais surpreendida ficou quando ela lhe pediu para lhe fazer o penso no pescoço. O que viu deixou-a estupefacta: Guadalupe tinha um enorme antraz (tumor gangrenoso) extremamente doloroso.
Ninguém, além da pessoa que dirigia a casa e tinha a seu cuidado quem nela vivia, sabia, mas Guadalupe, apesar das fortíssimas dores que deve ter tido, nunca se queixou – isto é fortaleza extraordinária de quem quer passar despercebida.
Mas a doença do coração foi-se agravando e um cansaço invencível ia-se apoderando dela – uma Mulher sempre activa.
Com o agravar da doença, foi internada na Clínica de Navarra de que era director o seu irmão
Eduardo. Um dia ela viu, pela janela a bandeira a meia haste, mas ninguém lhe disse a razão. Foi o irmão, este que teve o doloroso dever de lhe dar a notícia do falecimento de Mons. Josemaria Escrivá, em 26 de Junho. Pouco tempo depois, em 16 de Julho, dia de Nossa Senhora do Carmo, depois de quarenta horas de dolorosa agonia, Guadalupe parte para o Céu.
A 6 de Janeiro de 2001, é solicitada a abertura da sua Causa de Canonização, sendo Postulador o Cardeal Rouco, que na sessão inaugural da abertura do processo disse: «Ela deu tudo, deu a sua vida, a sua alma, o seu corpo, a sua actividade… a oblação da sua vida ao serviço dos encargos apostólicos e da Obra apostólica iniciada pelo beato [hoje santo] Josemaria Escrivã».




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