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Eleições autárquicas e coesão territorial

Quando as eleições autárquicas se aproximam já se denotam as diversas movimentações partidárias nas principais urbes do país, à procura de qual a melhor liderança para o próximo mandato nos diversos territórios. Bem, nas próximas eleições autárquicas mais do que decidir se é o partido A, B ou C que ficará à frente dos destinos dos munícipes nos próximos anos, gostaria de ver esclarecido, mas de forma objetiva, que medidas pensam tomar os diversos candidatos e partidos sobre a coesão territorial. Qual a relevância que vão atribuir às políticas sustentáveis? E de que forma será notado o seu papel nos diversos “fácies” urbanos? 

Carlos Oliveira
16 Mar 2013

Senão vejamos, no território nacional cerca de 40% da população vive em 10% do território, e onde menos de 4% da população vive em cidades de média dimensão, se é que as devemos considerar realmente médias, tendo como referências o verdadeiro significado de cidades “médias” de outros países europeus. Isto significa que quase metade da população vive paralisada sobre si, isto é uma tendência para manter, segundo estudos recentes, o que significa que o ser humano tende cada vez mais para tornar-se uma espécie de essência urbana. Essa tendência urbana afeta atualmente a vida das sociedades e o ambiente global, daí a necessidade de se criarem e estabelecerem estratégias de desenvolvimento que possam tornar as áreas urbanas mais sustentáveis e dinâmicas.
Em Portugal subsiste a desertificação do interior, a incapacidade de as cidades de média dimensão conceberem um verdadeiro estado de maturação e de conseguirem desempenhar o papel fulcral que deviam ter na dinâmica territorial. Estes são sinais de uma inexistência de um método estratégico sólido. Posto isto, é necessário uma intervenção estratégica de “desenvolvimento intelectual e de coesão” para Portugal. Não é possível falar-se em competitividade estratégica e sustentabilidade sem se compreender e dar a atenção devida à necessidade de se investir na inovação e na coesão territorial. Não é com os sucessivos cortes a que temos assistido em muitos locais, em áreas fundamentais como a saúde, educação e da mobilidade que estaremos a contribuir para a tão desejada coesão territorial.
A sustentabilidade urbana e a sua respetiva competitividade terão que passar forçosamente pela cooperação entre as cidades e as re-
giões, pelo incentivo da criação de valor acrescentado nas atividades económicas, por um real apoio governamental e não por umas meras ações que ao fim de algum tempo ninguém percebe qual o seu papel e qual é o seu real impacto. Passa também pela aposta na área cultural, na partilha de conhecimentos, pelo desenvolvimento social e pelo desenvolvimento de soluções de transporte e mobilidade. Este último, é um elemento vital para o pleno funcionamento das urbes, é necessário encontrar soluções para a mobilidade das pessoas, apostando numa circulação rápida, barata, livre e de baixo impacto ambiental, como forma de preservação dos recursos. Permitindo assim, a criação de uma realidade sustentável baseada na participação social, possibilitando que as atuais gerações e as futuras possam desfrutar de uma qualidade de vida aceitável, face às transformações sociais que se vivem, com tendência para o “fácies” urbano.
Outro ponto a ter em conta é o papel das pessoas neste contexto. São cada vez mais necessários “atores de conhecimento” capazes de atrair dinâmicas de diferenciação qualitativa nos territórios e de conciliar uma essencial boa coordenação das opções centrais com as aptidões de criatividade local e as suas reais necessidades, dando corpo à estratégia competitiva de Portugal. Assim num mundo que se pretende mais sustentável e onde as cidades competem diretamente umas com as outras, cabe à nossa sociedade ganhar dimensão e atuar em rede, de forma a dar uma resposta positiva a essa competitividade e sustentabilidade. Para isso são necessárias respostas e soluções objetivas, que não tenham apenas em vista o corte de despesa “fácil”, mas sejam sim uma resposta pragmática e que seja capaz de trazer mais equidade entre as diversas regiões e não o inverso. Como alguém dizia “Nós não herdámos a Terra dos nossos pais, pedimo-la emprestada aos nossos filhos”.




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