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Avaliação da CEJ

Neste contexto de crise profunda em que o país se arrasta, por culpa própria, todas as aplicações financeiras patrocinadas pelos depauperados cofres do Estado deveriam ser conscientemente analisadas ao pormenor e contabilizadas ao cêntimo para não escavarmos mais o tremendo sarilho social em que estamos metidos. A realização do evento “Braga, Capital Europeia da Juventude”, porque recebeu dinheiros públicos e pela sua “singularidade a nível nacional”, suscita-me como cidadão bracarense colocar algumas questões relacionadas com a consumação deste acontecimento juvenil.

Armindo Oliveira
16 Mar 2013

Quais foram os benefícios culturais, sociais e económicos que advieram deste importantíssimo evento juvenil para a cidade, para o concelho e para a região minhota? Já foi feita a sua avaliação em todas as suas áreas de intervenção? Que implicações ficarão impregnadas nos jovens bracarenses para ativar o empreendedorismo, a inovação e o investimento produtivo? Não seria melhor passar uma esponja pelo evento, fazendo de conta que nada aconteceu?
Por aquilo que observo e escuto, fico com a nítida sensação que em Braga no ano 2012, no que se refere a manifestações culturais com envolvência direta de jovens, não se passou absolutamente nada de relevante. Há claramente uma onda resignada de fazer esquecer que esta cidade milenar foi palco de um dos maiores eventos juvenis da Europa que só orgulha quem é contemplado com tão honrosa escolha. Virar de página para evitar a análise e a discussão dos potenciais fracassos não é a melhor metodologia. Há que assumir com verticalidade todas as responsabilidades por se ter desperdiçado de forma inglória tão singular oportunidade de levar o nome de Braga e das suas gentes a todos os cantos da Europa. Perdeu-se, no meu ponto de vista, uma soberana oportunidade para que Braga entrasse no mapa turístico das cidades com história, com presente e com futuro.
Um dos marcos físicos que assinalará que “qualquer coisa” aconteceu na cidade prende-se com a aquisição e “requalificação” do antigo edifício da GNR, pomposamente apelidado de GNRation, termo que não passa de uma corruptela linguística inglesada de mau gosto. Apontado como uma exponencial mais-valia para dar guarida a todas as inovações e ações, é fácil de se perceber que o seu destino está bem traçado: não vai servir para nada, nem para coisa nenhuma. Para se ficar com esta sensação ou com esta certeza, basta entrar nas suas labirínticas celas que mais se assemelham a um presídio dos séculos passados. Não se consegue perceber como foi possível investir-se alguns milhões de euros numa aquisição e numa requalificação que à partida não seria minimamente rentabilizada. Será, porventura, mais um elefante branco para sustentar?! Uma coisa me parece certa: os privados não investiriam um cêntimo neste edifício, porque não tem uma configuração que sustente qualquer rentabilidade. O GNRation é mais um exemplo significativo como os recursos financeiros do Estado são desperdiçados.
A “Noite Branca”, talvez o único ponto positivo do evento não tem amarras suficientes para segurar qualquer pretenso sucesso e também não atenua o fiasco que aconteceu em 2012 nesta cidade. Esta é a ideia que passa na mente de muitos bracarenses a quem recolhi a sua opinião avaliativa.




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