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Orgulho e altivez

Presentemente vive-se o Ano da Fé, sincrónico com o tempo quaresmal, e que valiosos são (estes tempos) para a caminhada de peregrino que todo o cristão precisa viver. É necessário por isso que o homem reflita e se acuse, podendo desse modo fazer sobressair falhas ou fraquezas, atitudes de orgulho ou altivez.O orgulho é com certeza tão antigo como o próprio homem. Recorde-se um texto sobre a Torre de Babel: “Em toda a terra, havia somente uma língua, e empregavam-se as mesmas palavras. Uns emigrados do Oriente, na planície de Senna-Ar, disseram uns para os outros: “vamos construir uma cidade e uma torre cuja extremidade atinja os céus. Dessa forma seremos famosos e evitamos a dispersão por toda a terra”.

Artur Soares
15 Mar 2013

O Senhor, vendo o que fizeram e disseram, disse: “vamos descer e confundi-los na linguagem, de forma que não se entendam”. E foi assim que Deus os dispersou por toda a terra.
Os orgulhosos são apontados constantemente em várias leituras do Evangelho e, a Igreja, sempre previne os fiéis de poderem viver nesse defeito, melhor, nessa aberração. Cristo alerta: “Se alguém quiser ser o primeiro, há de ser o último de todos e o servo de todos”. S. Paulo também afirma: “Não vos enganeis: o que o homem semear, isso há de colher”.
Na verdade e com facilidade, no dia-a-dia nos defrontamos com atitudes de orgulho, de ascendência, de bazófia em qualquer canto. É de todos os tempos, pelos vistos, a existência de orgulhosos.
O orgulhoso não tem o sentido do Outro, geralmente não o respeita. Tem dificuldade em amar e rejeita o pequeno, o fraco. Além de pouco ou nada amar, humilha; em vez de procurar lucidez, transparência, usa a vigilância e adora que lhe segredam aos ouvidos, para uso da força ou da confusão; em vez da caridade usa a velocidade e em vez de convencer dá ordens e exige ser obedecido.
O orgulhoso é cego e surdo e muitas vezes é ator da humildade. Tem dificuldade em sentir Deus na sua vida e muito menos sente no coração a vontade de Deus a seu respeito ou em relação aos outros.
Tertuliano, no seu tempo tinha atitudes de orgulho dizendo: “é um bom homem, Gaios Seius. Que pena ser cristão”.
O orgulhoso é um estranho monstro! Não se apercebe da miséria que lhe cabe nem da dos outros. Esconde a sua miséria e, se a deixa ver vangloria-se dela. O orgulhoso – como outros – vemo-los facilmente estatelados no chão, se se possuir o barro da simplicidade.
Se às atitudes de orgulho podemos ver prejuízos causados, nas atitudes mais simples de orgulho encontramos também os respetivos danos. É nestas que muitas vezes, não se imagina o mal ou a má impressão causada, que pode levar à debilitação, à dispersão ou à fuga dos simples e dos sinceros.
Santo Agostinho, refletindo desabafava: “Ó Senhor, – único Senhor que não reina com orgulho, porque sois o único Senhor verdadeiro, o único que não tem senhor – acaso cessou em mim, ou poderá jamais cessar em toda a minha vida, este género de tentações, que consiste em querer ser temido e amado dos homens só com o fim exclusivo de encontrar uma alegria que não é alegria? Ó que vida miserável”!
Um grande mestre, certo dia comentava: “Diante de Deus, de
joelhos, mas diante dos homens, de pé”. Quer dizer: não se pode ser anjola!
Creio que o diabo é impotente junto dos simples e dos humildes, bem como junto daqueles que conhecem o valor da oração e dela se alimentam. Mas o diabo será sempre forte junto do orgulho, da altivez, da inteligência sem rumo, da autossuficiência, da rapacidade de qualquer género com método e organização.
O orgulho e a altivez, nunca serão veículo de paz, uma vez que tais formas de ser e de estar são terrenos opostos ao amor: os três, jamais florescerão na mesma horta!
Ao apresentar o presente assunto dentro dos meus pobres conhecimentos cristãos, não pretendo que, pelo facto de o escrever, me sinta limpo ou livre de tal defeito ou querendo insinuar “eu não sou assim”. Conheço-me bem, mas é verdade que sempre tive medo do orgulho, da jactância.
Finalmente, bem sei que “um orgulhoso cristão”, só assim pode sentir-se pelos dons que recebeu de Deus e que não deixa que tamanho património corra perigo, porque sabe e se lembra de que Cabeça e de que Corpo é membro.




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