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As infinitas capacidades da natureza humana(I)

Já escrevemos que as grandes e revolucionárias descobertas científicas e tecnológicas conquistadas nos últimos séculos são uma gota de água se comparadas com as forças titânicas que serão libertadas quando o homem se entregar profundamente à tarefa de compreender e dominar a sua própria natureza. A verdadeira ciência e o genuíno estudo, para o homem, prendem-se com ele próprio. O estudo da natureza humana é o mais nobre de todos. Ela encerra todo um campo de atributos e capacidades, muitos deles ainda por sondar, que construir o homem na sua totalidade é o projeto mais grandioso que se pode conceber. Marco Aurélio escreveu: “Que os homens vejam e conheçam um verdadeiro homem, que vive conforme foi feito para viver”.

Artur Gonçalves Fernandes
14 Mar 2013

O homem moderno tem, neste campo, tantas condições para aproveitar que, se o souber fazer, conseguirá a maior e mais proveitosa das descobertas até hoje concretizadas. No entanto, não é essa a grande preocupação da maioria das pessoas e dos investigadores, onde o grande móbil é a notoriedade, a fama, a ganância, a intenção de enriquecimento imediato sem olhar a meios e sem respeitar os direitos dos outros. Só se veem ambiciosos desonestos, corruptos descarados, fazedores de corjas de “cunhas” e compadrios desavergonhados, incompetentes e arrogantes no desempenho das suas profissões, nas quais ingressaram, tantas vezes, sem mérito. Quantos milhares de milhões de euros têm sido desviados, esbanjados e gastos em benefício de poucos, enquanto a maioria continua a passar grandes privações e até a viver de esmolas ou do socorro das instituições de solidariedade social.
Se as pessoas respeitassem os direitos humanos e os princípios cívicos, éticos, morais e sociais e aproveitassem todas as leis que a natureza humana encerra, não haveria tanta injustiça, tanta miséria, tanta exploração do próximo e, então, o mundo seria muito melhor. O que devemos temer atualmente não é uma desintegração atómica; é antes o desprezo pela natureza humana. A luta da humanidade é de homem contra homem. A natureza humana é plurivalencial onde sobressaem três grandes áreas: física, mental e espiritual. Estamos numa época em que se procura deificar o homem e humanizar Deus ou, até, varrê-lo da sociedade. Tenta-se explicar tudo por causas meramente naturais, finitas e efémeras, apenas interessando o secularismo material. Hoje, foge-se do divino, do transcendente e do eterno. O homem tenta, erradamente, refugiar-se no agnosticismo, no ateísmo e no materialismo. São disfarces sem fundamento científico, ético e humano e, por isso, sem segurança. Estamos no início de uma nova Idade das Trevas, embora enganosamente co-
roada pelas descobertas científicas e tecnológicas. Infelizmente, a própria Igreja, por vezes e por mau desempenho de alguns dos seus servidores, envereda mais pelo caminho da pregação das humanidades, em vez de sobrevalorizar os valores espirituais. O homem é o favorito e o ser privilegiado da Natureza. Não no sentido de ela lhe ter dado tudo, mas por lhe ter dado o poder de fazer tudo bem feito. A natureza dos homens é sempre a mesma; são os seus hábitos, os seus atributos pessoais, as suas atitudes e a sua personalidade que os tornam diferentes uns dos outros. O homem contemporâneo classifica, ordena e arruma, em arquivos apropriados, toda a gama de conhecimentos sobre todos os assuntos concebíveis, menos a questão fundamental: Qual é a nossa verdadeira natureza? Donde viemos? Para onde vamos? Qual é o verdadeiro significado da vida? Sabemos mais do mundo material que nos rodeia do que do mundo espiritual que existe dentro de nós. Fala-se muito de conflitos entre povos ou entre nações, mas não se consegue compreender que o conflito – chave reside essencialmente entre o homem e ele próprio.




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