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Democracia e verdade

O 25 de Abril de 1974 trouxe ao país a democracia. E, logo, associada à própria palavra, surgem as de liberdade e igualdade que os autores do apregoado movimento libertador e revolucionário se não cansam de meter na cabeça do povo. Ora, a liberdade e a igualdade não são conceitos absolutos e, muito menos, têm plena concretização prática em qualquer democracia do mundo. Porque ninguém é absolutamente livre, nem a igualdade se comporta como valor comum a todos os cidadãos. O que, na realidade, aplicadas a todos por igual, liberdade e igualdade não passam de meras utopias.

Dinis Salgado
13 Mar 2013

Assim sendo, na sua essência e aplicabilidade, à democracia não podem ser alheios, e são mesmo o seu ponto de honra, o bem-estar e a felicidade dos cidadãos. Bem-estar e felicidade pessoal e social que consigo obviamente, arrastam as práticas da solidariedade, da equidade e da justiça social para todos.
Porém, uma democracia onde imperam o medo, a insegurança, a contestação, o desemprego e a injustiça perde os mais nobres e elementares atributos que são o seu conteúdo e forma. E, então, quando os cidadãos deixam de confiar nos homens que os governam, nos políticos que os representam e nas instituições que os servem, estamos no princípio do fim da democracia. Porque, desta forma, esta deixa de ter o suporte natural e social e a legitimidade que a definem, justificam e autenticam.
Ora, penso que a nossa ainda jovem democracia longe está de ser cumprida, mormente nos seus pressupostos de bem-estar e felicidade pessoal e social. Procurou-se, ao longo destes trinta e sete anos, declaradamente, convencer o povo de que era livre e igual, em vez de o ensinar a ser mais solidário, participativo, tolerante e ativo e a exigir dos governantes, políticos e instituições seriedade, justiça, grandeza, numa palavra, verdade nas suas intenções e ações.
Porque um povo que se entrega à cultura da indiferença, do comodismo, do miserabilismo e do deixa-andar corre sérios riscos de ser, crescentemente, dominado e explorado. Sobretudo, quando a crise económico-financeira e social lhe bate à porta, como, hoje, na nossa democracia acontece. Como, igualmente, não pode haver verdadeira democracia, quando no seu seio convivem a miséria e a fome com a abundância e o supérfluo, e a emigração massiva da sua juventude é a única solução de sobrevivência.
O que nos põe apraguejar:
– Porra, vai cá uma nortada!
Então, até de hoje a oito.




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