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Parece que apareceram as ossadas de Ricardo III

1 – Algo anglófilo). Eu sou como muitos portugueses. Apesar de nacionalistas, nós nunca precisámos que aparecesse a CEE para nos considerarmos também europeus. E isso sem reservas. O nosso coração é grande. E o nosso patriotismo, porque bem estruturado, não impede que possamos, dentro de certos limites, também simpatizar com outras nações, especialmente europeias. No meu caso, com a Inglaterra, Espanha, Alemanha, França, os países do mundo Eslavo, a Itália e o próprio Japão. As simpatias por Inglaterra são até apanágio do meu lado paterno e remontam a um dos bravos do Mindelo, J. J. da Costa Nunes, que foi meu 4.º avô.

Eduardo Tomás Alves
12 Mar 2013

E que se prolongam por Fernando Pessa (cunhado de meu tio-avô Alfredo), comendador da Ordem do Império Britânico (1959). Alguns dos “bons fantasmas” da minha infância eram também britânicos: Robin Hood, o Príncipe Valente, os misteriosos “casacas vermelhas” (o exército inglês que atacava os rebeldes americanos), o almirante Nelson, o gen. Wellington. Mais tarde foi Stanley, a rainha Victoria, o futebol inglês, a beleza das britânicas do Algarve. E uma paixão secreta, aos 16 anos, por uma prof.ª do Instituto Britânico, Katherine Anne Short. E por tudo isto acho repulsivo que a pobre, fria e húmida Albion esteja agora a ser vítima de acelerada colonização em massa por milhões de naturais de outros continentes. É inqualificável.
2 – Ricardo III era um dos meus reis ingleses favoritos). Para mim, há uma série de reis ingleses cujo papel reputo de positivo e dos quais gosto. Começa logo pela rainha dos Icénicos, Boudicca (m. em 61 d.C.), que liderou a revolta falhada contra os exércitos romanos do imperador Cláudio. Muito mais tarde veio o último rei anglo-saxónico, Harold Godwinson (m. 1066), derrotado em Hastings pelos franco-normandos. É curioso o parelelismo deste rei com o nosso querido rei visigodo Rodrigo, derrotado em Guadalete (Cádiz, 711 d. C.) pela 1.ª invasão marroquina. É que Rodrigo (tal como Harold) chegou à pressa do distante norte, a marchas forçadas e sem medir a força do inimigo. Rodrigo acabava de derrotar as difíceis tribos bascas. Harold acabava de vencer o pretendente norueguês, o famoso Harald Hardrada, em Stamford Bridge (não é o campo do Chelsea…). Outro bom rei foi João sem Terra (m. 1216, irmão do impensado e “alternativo” Ricardo C. de Leão), centralizador, bom administrador e muito caluniado. Depois vem o grande Eduardo I (m. 1317, no Solway Firth) que conquistou Gales e tentou conquistar a Escócia e se distanciou dos judeus, digamos. Depois veio o aventuroso Henry IV Bolingbroke (o 1.º rei Lencastre, filho de John of Gaunt, que esteve em Portugal), celebrado em belas canções. O qual usurpou a coroa e esteve em cruzada na Prússia e Lituânia pagãs, ao lado da ordem Teutónica, imagine-se! Outro notável rei inglês foi Henrique VIII (m. 1547), que sem o desejar realmente, se tornou protestante. Opção continuada por Isabel I, sua notável filha (m. 1603). Este novo caminho, que abriu depois espaço à Maçonaria, então inofensiva, foi consolidado por Guilherme III de Orange (m. 1702). Outro bom rei foi Jorge III (m. 1820) que bem tentou impedir a independência da América. Por último, a gloriosa rainha Victoria (m. 1901), após a qual a Grã-Bretanha entrou em gradual e contínua degradação.
3 – O meu reino por um cavalo!). Tal como D. Sebastião para Portugal, Ricardo III foi o último rei inglês a morrer numa batalha (Bosworth, 1485). Com ele acabou a “Guerra das 2 rosas” e a dinastia de York. O vencedor foi o futuro Henrique VII (dos Tudor, de Gales), pai do famoso H. VIII. Acossada pelos yorkistas, a nova dinastia tratou de denegrir ao máximo a imagem de Ricardo III, acusando-o
da morte dos príncipes na Torre de Londres, seus sobrinhos. E da morte do desacreditado Henrique VI (1471) que abria caminho a que o irmão mais velho de Ricardo III, Eduardo IV, se tivesse tornado de vez rei. Diziam ainda que Ricardo, era corcunda. Shakespea-
re, nesta onda, na peça “Ricardo III”, na cena da derrota em Bosworth, põe Ricardo III a dizer “A horse, a horse! My kingdom for a horse!”, quando na verdade este valente e jovem rei e general aguentou até ao fim, apesar da desproporção dos efectivos (parte das suas tropas desertou). Pelos retratos que sobraram deste jovem rei de 32 anos e do vencedor Henry Tudor, tudo levaria a crer que Ricardo III, homem muito bem parecido, nunca podia ser o “mau da fita”. Mistérios… E reza a história que o cadáver quase nu do rei, amarrado ao lombo dum cavalo, fez viagem até à vizinha Leicester onde foi enterrado numa igreja. A qual os Tudor mais tarde arrasaram, desaparecendo até hoje os ossos. É agora encontrado um esqueleto com a coluna algo curva, cujo ADN comparado com um parente do séc. XXI de Ricardo III, parece confirmar ser ele mesmo. Será verdade ou será apenas para “provar” que o rei era mesmo “corcunda”?




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