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Iremos conseguir?…

“Os demónios de uma guerra europeia estão apenas a dormir” foi uma afirmação proferida porJean-Claude Junker, primeiro-ministro do Luxemburgo e ex-chefe do Eurogrupo, quando recentemente entrevistado pela revista alemã “Der Spiegel”. Esta declaração pronunciada por uma personalidade tão relevante no panorama europeu é no mínimo arrepiante, principalmente, porque foi dita no atual contexto de sofrimento, de grandes dúvidas e de muitas inquietações que assolam os povos do Velho Continente.

J. M. Gonçalves de Oliveira
12 Mar 2013

A Comunidade Europeia, apesar dos últimos esforços efetuados para serenar os ânimos da elite financeira e estabilizar o euro, está longe de conseguir a solidez que em tempos lhe conhecemos. Os últimos avanços conhecidos permanecem ensombrados por múltiplos fatores. As incertezas sobre a evolução das medidas de austeridade implementadas nos países do sul, a crescente contestação das mesmas e os resultados das eleições em Itália são apenas alguns deles.
O continente europeu, nunca como agora tão bem qualificado de velho, tendo em conta a baixa de natalidade e a inversão da pirâmide demográfica, vive tempos de verdadeira angústia que Jean-Claude Junker bem retratou na frase que abre esta reflexão. Considero-a um ato de coragem e constitui um verdadeiro alerta. Mais do que nunca, impõe-se que cada um dos dirigentes comunitários faça uma meditação profunda sobre o alcance das suas palavras.
Portugal, como parte integrante da Europa e a viver uma situação de dependência financeira é também, à sua dimensão, um dos seus problemas. Por isso, está duplamente apresado. Assim, não deve fugir dos seus compromissos internacionais, sob pena de perder totalmente a capacidade de reagir a qualquer situação de maior ameaça com que possa ter de se confrontar.
Deste modo, examinando a situação atual
do país, será oportuno perguntar: Iremos conseguir?
Observando com a objetividade possível os sinais que vão sendo conhecidos, acredito que mais uma vez os portugueses serão capazes de ultrapassar as enormes dificuldades do presente. Na rude caminhada imposta pela austeridade, que aponta para a necessidade de aprendermos a viver de acordo com o que temos, julgo haver indícios credíveis de que vamos superar todos os obstáculos.
O comportamento da generalidade do povo presente nas manifestações do passado dia 2 pode ser considerado um bom sinal. Apesar da vontade que alguns teriam de as ver resvalar para formas de protesto menos civilizadas, esses intentos foram inteiramente gorados. Mais uma vez, muitos portugueses, não deixando de exteriorizar o seu descontentamento, fizeram-no com elevada maturidade cívica.
A recente alteração da classificação da dívida portuguesa, pela agência de “rating” Standard & Poors, que considerou o país como pagador credível de dívidas a longo prazo, constitui sem dúvida outro desses indicativos.
Se nos debruçarmos sobre os diversos atores políticos do xadrez nacional, encontraremos alterações de rumo que poderão enfatizar ainda mais a convicção de que iremos conseguir livrar-nos do colete-de-forças que nos obrigaram a vestir. A recente transformação do discurso do principal líder da oposição, António José Seguro, poderá ter essa leitura. Ao fazê–lo, não estará a dar conta que o Governo vai alcançar os objetivos que delineou e a retirar-lhe argumentos para um desejado regresso ao poder? Não sendo mais do que uma simples conjetura, tendo ele esse importante papel, não deixa de ser um bom motivo de reflexão.
Muito mais do que uma crença, acredito que vislumbrar alguns sinais que façam avivar a luz ao fundo do túnel, são sempre encorajadores. A manutenção da restaurada credibilidade externa do país, o investimento na Agricultura com o consequente regresso ao cultivo dos campos de gente de variados setores do saber, são outras boas razões para alimentar a esperança que iremos conseguir.




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