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Quando os escolhidos se tornam escolhos

«…Quando os escolhidos se tornam escolhos» é uma expressão de Fernando Alves proferida numa das suas últimas crónicas, «Sinais», emitida diariamente pela TSF. Recordo que o jornalista foi um dos convidados presentes na Biblioteca Lúcio Craveiro da Silva numa ação promovida pela área para a comunicação social da UM no Dia Mundial da Rádio. Sem a música que faz ondular a voz das suas palavras simultaneamente doces e mordazes, e com um microfone ocasionalmente com pilhas gastas, Fernando Alves fez da sua intervenção uma encenação «radiofónica» da leitura da sua crónica, lendo um impressivo texto de vinte minutos com «à partes» que o prolongariam por mais quinze minutos sem pêndulo.

Jorge Leitão
11 Mar 2013

Na crónica «A Panela de Pressão» de 22 de Fevereiro, Fernando Alves aludia a uma conferência de Vítor Gaspar que se realizou num hotel de Lisboa para tentar «explicar» a militantes do PSD as suas ideias sobre, ao que parece, a necessidade de mudança profunda no sistema político.
É que o maior «sobressalto», não veio daqueles que, em vão pretenderam entrar na sala com cartazes de indignação e a cantiga (ícone dos protestos pacíficos) já afiada na língua – esses foram impedidos de entrar, segundo apurou um jornalista do JN, numa triagem profilática que advertia que aquela sessão era do foro privado do partido – mas o ministro deu de caras com o desconforto dos próprios correligionários, que ali se apresentavam por convite, um dos quais confrontou o ministro que Portugal está num abismo… e outro «…só se pensa carregar nos impostos…, porque não reduzir no IVA…». E a crónica de Fernando Alves termina «… aqui instala-se uma ideia politicamente perigosa. Aquele que parece obstinado em, meticulosamente, a “afrontar” as pessoas, revela receio de as “enfrentar”. Não há interlocutor para esta ideia, nem por convite.»
Depois de se saber o resultado das recentes eleições italianas e numa altura em que os troi(k)anos voltaram para nova avaliação, vem-me à memória “As Farpas” de Ramalho e de Eça. Já no séc. XIX a nação  era assim, aliás
sempre foi assim. Esta região que hoje é Portugal sempre foi uma terra de invasores. Quando chegavam aqui deparavam-se com o mar e por aqui ficavam submetendo, escravizando, explorando as populações indígenas. Esses alóctones eram minoritários mas possuíam armas ao contrário dos locais, essencialmente camponeses pacíficos. Assim vieram os romanos, os vândalos, os alanos, os suevos, os visigodos, os berberes e outra vez os visigodos, substituindo pela força os que anteriormente dominavam. Só que esses invasores e até os romanos, originários predominantemente do Norte de África, eram ignorantes muitas vezes arrastados ou escorraçados das regiões de proveniência. Conclusão: as elites que sempre nos governaram e atualmente nos governam são remanescentes desses forasteiros que viravam num golpe de espada, fidalgotes de meia tigela. Por isso ainda é desses estratos que emerge a classe económica mais poderosa e que controla os políticos emergentes a partir das suas academias.
Aqui chegados, encontramos o país preocupado com tantos cortes, sobretudo na  despesa social (3,7 mil milhões, a maior da Europa em 2 anos – 2011/2012 –  segundo Luís Reis Ribeiro, JN).
Pasme-se agora perante as declarações ao “New York Times” do norte-americano Paul Krugman – Nobel da Economia 2008 – ao mostrar-se surpreendido pela paixão dos europeus pela austeridade! Também considero esta uma atitude compulsiva e desratizada, nomeadamente depois das recentes declarações do Presidente da República num encontro com jovens empreendedores, ao afirmar que não é com salários baixos que se garante a competitividade das empresas.
Mas um facto de que o senhor Krugman se esqueceu, é que foi dos EUA que partiu a mais recente invasão… E esta não afetou apenas Portugal.




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