Fotografia:
A lição de um povo

A manifestação de descontentamento que saiu à rua cantando Grândola Vila Morena tão diferente no tom e na intenção das que foram cantadas nos corredores, demonstrou, uma vez mais, quanto civilizados somos como povo ao mesmo tempo que desmentíamos aqueles que nos julgavam boas pessoas mas maus como povo. Sem incidentes de maior numa manifestação contra as politicas impostas do exterior e implementadas no interior pelo atual governo, abriu os olhos ao mundo e disse como se pode contestar sem rebentar portas e janelas, como se pode dizer ao Governo que governa o descontento sem confrontos físicos e como se pode afirmar a vontade de mudar sem recorrer a qualquer tipo de violências.

Paulo Fafe
11 Mar 2013

Que extraordinária lição de democracia! Estiveram presentes políticos e sindicalistas mas a força veio da gente anónima, dos que não têm emprego, dos que não têm dinheiro para continuar estudos, de casais ambos sem trabalho, dos velhos a quem cortaram na pensão, da classe média que se vê desaparecer, dos que temem o presente e também dos que não veem na sua pátria o local do seu trabalho e têm de procurar no estrangeiro o pão da sobrevivência. Estavam contra os da troika, os que nos emprestaram o dinheiro a juros de agiota, contra  os que nos fiscalizam com olhos de cobrador de impostos. O povo português já lhes demonstrou que sabe honrar seus compromissos, mas que quer uma  maior humanização na contabilidade, que têm  problemas sociais específicos, que este mesmo povo não tem culpa dos desvarios dos governos, que este povo tem dignidade para saldar as dívidas que em seu nome outros fizeram, mas que também têm filhos para sustentar, velhos para amparar, saúde  e segurança social a preservar e que estes desígnios não se cumprem apenas com austeridade. Venham cá e invistam que os portugueses saberão criar riqueza; permitam-nos aplicar taxas de IRC e  juros vincendos iguais aos praticadas noutros países da comunidade e verão se a economia portuguesa não cresce. Deem-
-nos a “esmola”do trabalho que nós dispensamos a esmola dos empréstimos. Não queremos um bisturi que rasgue a carne  sem cuidar de salvar os órgãos vitais do paciente. Muita gente esteve na rua mas muitos outros estiveram lá em espírito. O atual governo e o Presidente da República devem saber ler estes sinais, não para abandonar o barco no meio da procela, mas para dizer aos que ganham usurariamente com os países em crise que parem, escutem e olhem para este povo que tem tanta força de alma como nobreza, tanto caráter como ânimo para dizer basta. Poucos momentos temos tido de orgulho e consolo nacionais, mas esta manifestação do dia 2 de outubro de 2013, deu para beber até ficarmos saciados.




Notícias relacionadas


Scroll Up